O que é a JSD?

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O que é a JSD?2018-12-05T13:20:49+00:00

A Juventude Social-Democrata (JSD) é a organização política não confessional de jovens social democratas, que em comunhão de esforços com o Partido Social Democrata (PSD), tem por fins a promoção e a defesa da democracia política, económica, social e cultural inspirada nos valores do Estado de Direito democrático e nos princípios e na experiência da social democracia, conducentes à libertação integral do Homem, através da transformação reformista da sociedade portuguesa, sempre na defesa de Portugal, de um ideal de afirmação internacional da Nação Portuguesa no contexto da globalização, da promoção da qualidade de vida das suas populações, da emancipação dos jovens e da realização da solidariedade intergeracional.

Um dos traços de identidade mais fortes da JSD é a defesa inabalável da igualdade de oportunidades à partida para todos os cidadãos. Não pretendemos igualizar a sociedade ou moldá-la com recurso a engenharias sociais que nos dizem a todos onde chegar, o que fazer, como viver, etc. Somos os acérrimos defensores da libertação da sociedade e dos indivíduos, mas também sabemos que uma sociedade sem justiça social é uma sociedade mais pobre e, em última instância, onde todos são menos livres.

A JSD deve afirmar-se sempre como a estrutura política reformista, que quer começar hoje a construção do Portugal que se equipare aos principais países da Europa, em que um jovem português olha para o seu presente e futuro e não se sente diminuído pela sua nacionalidade, pelo sítio onde nasceu ou pelas capacidades socioeconómicas da família onde cresceu.
Da mesma forma, qualquer tipo de discriminação racial, de género, étnica e religiosa merecerão sempre da parte da JSD uma postura de acérrimo combate, na defesa dos valores do humanismo da civilização ocidental: liberdade, dignidade humana, respeito, partilha, diálogo e cooperação.

Um dos primeiros cartazes da JSD.

Na primeira semana de Junho de 74 três dezenas de jovens, liderados por António Rebelo de Sousa, criam o ‘Núcleo de Jovens do PPD’ que, ainda nesse mesmo mês, se transforma na JSD. Em Novembro de 74 realizou-se o primeiro Plenário Nacional da JSD onde foram aprovados os primeiros estatutos da estrutura. Fica, desde logo, como uma estrutura autónoma do PSD, apresentando um posicionamento programático claramente mais à esquerda, uma voz crítica e sem tabus, mas que, com o tempo, passou a alinhar mais com a base programática do partido. Mais ao centro e abandonando a ‘irreverência esquerdista’ que a caracterizou inicialmente.

O I Congresso Nacional da JSD realizou-se em Lisboa, a 31 de Maio de 75. A CPN saída do Congresso era constituída por António Rebelo de Sousa, Guilherme d’Oliveira Martins, Pedro Jordão, Paulo Costa, José Hernandez, António Cerejeira, Manuel Álvaro Rodrigues, José Mota Faria, José Carlos Piteira e José Coelho.

Cartaz de uma das primeiras campanhas da JSD na Faculdade de Direito de Lisboa.

As ideias chave lançadas consistiam na abolição da sociedade capitalista em prol do socialismo democrático, num repúdio pelo neo-capitalismo e pela estatização burocratizante. Considerou-se que a sociedade socialista desejada só poderia ser alcançada com a socialização dos meios de produção e o controle democrático do poder político e económico pelas classes trabalhadoras.

Henrique Chaves, Jorge C. Cunha, Francisco Motta Veiga, Carlos Cruz, António Fontes, António Rebelo de Sousa e Guilherme d’Oliveira Martins, foram as figuras de “proa” do movimento. Rebelo de Sousa e Guilherme d’Oliveira Martins, com maiores conhecimentos teóricos sobre Ciência Política, ficaram célebres com os artigos que, um e outro, iam publicando no primeiro jornal nacional da JSD, o “Pelo Socialismo”. Ficaram para a história as conversas que mantinham no jornal, classificavam-nas como sendo uma “forma original de comentário político, com evidentes vantagens e os inconvenientes de se tratar de um texto discursivo, logo menos sintáctico”.

Cartaz PPD

Um breve resumo: a Social Democracia

De modo a compreender a Social Democracia, é necessário conhecer primeiro os movimentos que estiveram na sua origem.
No séc. XVIII, em plena Revolução Industrial, vários movimentos de organização social nasceram entre os movimentos políticos intelectuais e as classes trabalhadoras, criticando os efeitos da industrialização e da propriedade privada na sociedade. Esses movimentos denominados socialistas, embora com derivações distintas, tiveram como base o mesmo princípio – a construção da sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades e meios para que todos alcançassem essas mesmas oportunidades.
Dos diversos tipos de socialismo que surgiram, nasce o socialismo científico, que se baseava na compreensão da realidade e na análise da sociedade e das suas relações intrínsecas. É desse tipo particular de socialismo, já no século XIX, que nasce uma das mais famosas teorias de organização da sociedade – o Marxismo.
O Marxismo, após analisar as relações de classes nas sociedades, concluiu que a mudança nestas é gerada pela luta entre classes, onde estas se renovam constantemente, tendo igualmente previsto que a revolução da classe proletária da altura iria instituir uma ditadura do proletariado, onde ocorreria a socialização dos meios de produção através da eliminação da propriedade privada, sob a alçada do Estado. Após esta fase de transição, a sociedade passaria então para um comunismo perfeito, onde todas as desigualdades sociais e económicas desapareceriam (porque só haveria uma única classe), assim como o Estado. É desta teoria que se dá a divisão entre a Social Democracia e o Socialismo Ortodoxo (apoiantes do Marxismo).

Cartaz PPD em defesa dos Direitos do Homem

A Social Democracia nasce então no início do séc. XX, defendendo uma transição pacífica rumo a um sistema igualitário e democrático através da evolução da sociedade, sem a necessidade de uma revolução. Preconizava uma reforma progressiva do sistema capitalista, com vista a torná-lo mais igualitário, decorrente de um contexto de extremismos políticos, que findaram com o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
A seguir a 1945, o mundo abriu-se a si próprio com a cooperação entre países, sendo a criação da Comunidade
Económica Europeia (CEE) o seu expoente máximo. Assim, também a Social-Democracia se abriu e passou a defender igualmente políticas económicas liberais.
Em Portugal, foi nas décadas de 1950 e 1960 que a Social Democracia se afirmou como a única corrente política moderada, como alternativa ao regime que vigorou até 1974 – o Estado Novo. Começou por se caracterizar por uma linha Católica-Social, antes de ter lutado pela democratização do regime e por uma transição pacífica para a democracia (a chamada “ala liberal” antes do 25 de Abril), adotando posteriormente uma linha tecnocrática, privilegiando a modernização do país através do desenvolvimento económico e evolução social e cultural.

Fundadores do PPD/PSD (da direita para a esquerda: Joaquim Magalhães Mota Francisco Sá Carneiro e Francisco Pinto Balsemão)

Nos tempos seguintes à revolução de 25 de Abril de 1974, vários partidos políticos foram fundados, entre eles o Partido Popular Democrático (PPD) a 6 de Maio desse ano, por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota (mais tarde viria a mudar o seu nome para PSD – Partido Social Democrata). Em Julho de 1974, a Juventude Social Democrata – JSD – foi igualmente fundada.

Ao mesmo tempo, deu-se o risco real do país cair numa ditadura marxista, sob a alçada do Partido Comunista que, liderando Governos Provisórios, avançou com nacionalizações e apropriações de terras. A influência e poder comunistas viriam a perder terreno com o golpe militar de 25 de Novembro de 1975.
Como tal, e em oposição aos caminhos radicais do comunismo e do socialismo, o PSD – pela mão de Sá Carneiro – apresentou-se como o partido promotor do Estado de Direito Democrático, onde fosse possível conciliar “liberdade com ordem, progresso com segurança, desenvolvimento com justiça”.
O Partido Social Democrata (PSD) – assim designado desde 6 de Outubro de 1976 – é, desta forma, um partido defensor da liberdade de expressão, para o qual a pessoa humana está em primeiro lugar, do pluralismo, da paz e do diálogo. Um partido que defende a justiça e a igualdade. Uma igualdade de oportunidades, mas também a valorização do trabalho, do esforço e do mérito. Assim, valoriza a livre iniciativa, a economia de mercado e a integração europeia. O PSD é também um partido não confessional, mas respeitador de todos e quaisquer princípios ou crenças do povo português, bem como das suas diferenças.

Cartaz PPD em defesa da Justiça Social

Após um período de transição que durou cerca de 10 anos, Portugal conhece finalmente estabilidade política em 1986, com a entrada na CEE. O país desenvolveu-se como nunca e caminhou para uma democracia desenvolvida, do tipo ocidental.

Acompanhando o que se vivia no mundo desenvolvido, três visões começavam a afirmar-se no PSD: a social-democracia “pura”, o liberalismo e o conservadorismo. Se o liberalismo se batia por uma menor intervenção estatal e menos impostos, o conservadorismo defendia os valores morais e tradicionais, procurando a estabilidade. O partido procura conjugar e cimentar as três tendências. Como em todos os movimentos democráticos, existem diferentes sensibilidades ideológicas, mas também por este motivo é considerado o maior partido português: aquele que abrange mais áreas da sociedade, compreende as suas preocupações e, dentro da sua ideologia aceitadora e democrática, acolhe e representa mais convicções políticas.
Em homenagem à história da Social Democracia, a JSD orgulha-se de ter a sua própria identidade e autonomia, ser um ‘laboratório de ideias’ do partido, a força de renovação dos quadros do PSD, a voz dos jovens junto do partido e
estrutura crucial na mobilização dos jovens, sendo a maior organização política de juventude de Portugal.
Para mais informações sobre os principais acontecimentos que marcaram a história política de Portugal após o 25 de Abril de 1974, recomendamos a consulta da “Breve cronologia política da Democracia Portuguesa”, no capítulo Sabe Mais.

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PPD – Partido Popular Democrático

AS SETAS DO PSD – Um texto de Pedro Roseta (Povo Livre 1975)

O nascimento de um símbolo

Tal como outros movimentos, também os partidos sociais-democratas adotaram, desde início, diversos símbolos exteriores que pudessem, de forma rápida, sugestiva e uniforme, identificá-los perante o maior número de pessoas.

Assim, durante muitos anos, o Partido Social-Democrata Alemão serviu-se largamente de diversos símbolos, entre eles a bandeira encarnada e o cravo vermelho na lapela.
Mas um novo símbolo, forjado na luta contra o totalitarismo, estava destinado a sobrepor-se aos restantes.

A descoberta, em 1931, de um feroz programa de repressão que os nazistas pretendiam aplicar na Alemanha quando conquistassem o poder, através das famigeradas SA (Secções de Assalto), provocou grande agitação entre a população trabalhadora e o seu partido: o S.P.D. (Partido Social-Democrata Alemão).
Poucos dias depois, em Heidelberg, uma das muitas cruzes suásticas que já então os nazis reproduziam em grande quantidade nas paredes das cidades alemãs apareceu cortada por um traço grosso de giz branco.
Certamente algum trabalhador, cujo nome para sempre ficará ignorado, ao ver o símbolo odiado das forças totalitárias, não se pode conter e resolveu espontaneamente riscá-lo.

Para “tapar” o mais que podiam as suásticas nazis pintadas na paredes, os sociais-democratas alemães pintavam setas por cima.

Significado do símbolo

Nascidas espontaneamente na luta dos militantes sociais-democratas contra o nazismo, as setas da social-democracia exprimiam muito bem a aliança entre as organizações dos trabalhadores reunidos na Frente de Bronze, a grande organização de luta anti-nazi criada pelo Partido Social-Democrata Alemão: o próprio Partido (SPD); os sindicatos; e a organização “Bandeira do Reich” com as organizações desportivas de trabalhadores. As setas simbolizavam, portanto, os três factores do movimento: o poder político e intelectual; a força económica e social; a força física. O seu paralelismo exprimia o pensamento da frente unida: tudo devia ser mobilizado contra o inimigo comum – o nazismo.

O símbolo das sociais-democracias espalhou-se depois largamente: era dinâmico e ofensivo, significava o avanço do Povo para um futuro novo e diferente. Traduzia bem, de acordo com o pensamento de Edward Bernstein, a importância fundamental do movimento, das conquistas sucessivas e progressivas realizadas por via democrática. Lembrava aos sociais-democratas as qualidades fundamentais que lhes eram exigidas: a actividade, a disciplina e a união.
Ao símbolo do nosso Partido, as três setas, foram sucessivamente atribuídos outros significados que correspondem, na realidade, às linhas fundamentais do programa do PPD. As setas representam os valores fundamentais da Social-Democracia: a liberdade, a igualdade e a solidariedade; mostram que a democracia só existirá verdadeiramente se for simultaneamente política, económica e social.

Finalmente, as cores simbolizam movimentos e correntes de pensamento que contribuíram para a síntese ideológica e de acção da Social-Democracia: a negra, recorda os movimentos libertários do século passado, a vermelha, lembrando as lutas das classes trabalhadoras e dos seus movimentos de massa, e a branca, apontando os valores do homem, a tradição Cristã e humanista da Europa consubstanciada no Personalismo.

Em resumo, o símbolo do P.P.D. expressa bem a nossa vontade irreversível de ascensão, de caminhada com todos os Portugueses, para um futuro diferente, para a construção de uma sociedade nova, na Justiça e na Liberdade.

Nesta área encontra-se disponível o hino da Juventude Social Democrata:

PUXA POR PORTUGAL

Vamos puxar Portugal
com garra e paixão
lutar por um ideal
para a nova geração.

Ser da Jota é ser diferente
ter vontade de mudar
e saber que finalmente
é preciso refrescar.

Puxa por Portugal
quem é Jota canta assim
juntos por um ideal
sê da Jota até ao fim.

Uma onda há-de vir
dar mais voz à juventude
sentir, pensar, agir
é a nossa atitude.

Ser da Jota é ser diferente
ter vontade de mudar
e saber que finalmente
é preciso refrescar.

Puxa por Portugal
quem é Jota canta assim
juntos por um ideal
sê da Jota até ao fim