Enquadramento:

“When the world seems large and complex, we need to remember that great world ideals all begin in some home neighbordhood”, Konrad Adenauer dixit. Um dos arautos da Liberdade, proclamador dos ideais de união e cooperação entre países e povos europeus, delineou o arquétipo que concretizaria os desígnios por si acalentados, 61 anos volvidos sobre a fundação da CEE, baluarte da integração europeia. Roma, Cidade Aberta, como Rossellini apregoou, o cenário idílico para a assinatura e edificação de um ideal comunitário, corolário da liberdade, lançada que foi a primeira pedra em Paris, com a CECA: Liberdade de circulação de pessoas, bens, capitais e serviços. As barreiras, outrora erguidas, cairiam, cimentando a figura de um mercado comum europeu que propugnava a expansão económica e a cooperação entre países como alavanca para a correção de assimetrias, melhoria das condições de vida dos cidadãos europeus e, sobretudo, a criação de emprego. Com a instituição da União Europeia (UE), em 1992, e a adesão massiva ao projeto europeu, o flagelo do desemprego, mormente o desemprego jovem, foi presidindo aos intentos europeístas, sobretudo em consequência das sucessivas crises económicas, com o apogeu em 2007, que fizeram soar os alarmes e agudizaram as preocupações nesta matéria. Atualmente, e porque os jovens serão os designers do draft europeu vindouro, vislumbra-se uma elevada taxa de desemprego juvenil (18 aos 25 anos) na UE, situada nos 14,8%, de acordo com o Eurostat. É de ressaltar, de igual forma, os 17,2% de jovens NEET (Not in Education, Employment or Training), entre os 20-34 anos.

Consideramos, por isso, premente uma abordagem profícua ao combate ao desemprego juvenil, consubstanciando uma ideia para a Europa que, como exultou Konrad Adenauer, replicada pela JSD, num mundo imbuído de aparente complexidade, surgirá naturalmente no reduto do mais despojado subúrbio.

 

Proposta:

Para obviar ao malogrado e crónico entrave à prosperidade do projeto europeu, a elevada taxa de desemprego juvenil, consideramos que a UE pode desempenhar um papel impulsionador, enquanto mediador entre empresas e jovens, facilitando o seu contacto direto, a proximidade e, com isso, o preenchimento de necessidades mútuas: por um lado, a falta de mão de obra qualificada; por outro, a aparente falta de oportunidades no mercado de trabalho. Neste sentido, propomos o lançamento do programa “CYO (Catch Your Opportunity) – Be the CYO of yourself!”.

O programa consiste na elaboração de um modelo contratual digital “YES (Youth Employment Solver) Contract”, pré-definido em função dos setores de emprego, com assinatura digital, devidamente certificados pela UE, tendo em vista a facilitação da contratação online para home-based services, nos diversos ramos da tecnologia e outros setores. Para o efeito, seria criada uma intranet na qual as diversas empresas sediadas na UE poderiam aceder, em troca de incentivos.

Para o acesso à intranet com as oportunidades de emprego publicitadas pelas empresas candidatas, seria concedido um número previamente estabelecido de vagas, cuja distribuição dependeria de fatores com distintas ponderações em função dos pontos atribuídos: primordialmente, as economias mais frágeis terão maior ponderação face às economias mais fortalecidas, porém, o fator que mais pesaria na distribuição das vagas a atribuir a cada Estado-Membro aderente seria o regime fiscal e regulatório mais ou menos favorável para as empresas candidatas ao CYO, no âmbito da empregabilidade nesta índole (home-based services em regime de part-time, renovável).

A simplificação inerente à natureza dos contratos em apreço, os “YES Contracts”, visa uma aproximação peer to peer entre empresas e jovens NEET ou desempregados, qualificados, onde a UE, através da rede intranet, funcionaria como ponte para uma conexão que, no nosso entendimento, reduziria o gap entre falta de oportunidades de emprego, por um lado, e falta de mão de obra qualificada, por outro.

 

Artigo de Opinião realizado no âmbito do concurso “Uma Ideia para a Europa“.