Nos últimos tempos, Portugal viu-se confrontado com o chamado “Familygate”. Esta nova terminologia retrata os inúmeros casos de nomeações de familiares de membros do Governo, Dirigentes Socialistas, Eurodeputados, Deputados e Ex-Deputados para os mais diversos cargos do Estado Português (Ministros, Secretários de Estado, Assessores, Chefes de Gabinete, cargos em Empresas e Entidades Públicas, etc.). Esta prática, tão habitual dentro das hostes socialistas, parece uma prática enraizada, que vai desde o Governo, às Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, ganhou proporções enormes, de tal forma, que até a Comunicação Social Internacional não conseguiu ficar indiferente ao excessivo números de relações familiares que predomina na esfera governativa deste Governo, suportado por PS, PCP, PEV, Bloco de Esquerda e PAN. Rapidamente, esta temática gerou intensa revolta na Sociedade, surgindo as acusações de Nepotismo, muito dificilmente, ou mesmo impossíveis, de rebater pelos governantes e dirigentes socialistas. Entre explicações a roçar o ridículo e juras de amor eterno nas redes sociais, a realidade tem “esbofeteado” este PS, que vê a sua popularidade cair a pique (mais a pique que Marcelo Rebelo de Sousa depois do telefonema para o Programa da Cristina).

Como forma de “sacudir a água do capote” ou aligeirar o tema, na passada terça-feira (09/04/2019), o Primeiro-Ministro, António Costa teceu as seguintes declarações:

“é preciso separar o trigo do joio (…) Só estranho que quem tem falado tanto sobre o tema, quando se chega ao momento de definir regras claras, objetivas e para todos afinal revele pouco interesse”.

Este exercício de desresponsabilização ou esta tentativa de colar os outros partidos a um caso que apenas tem a responsabilidade deste Governo e do PS, mostra-se completamente desajustado com a realidade e revela algo mais grave: ou os restantes partidos se prontificam a estabelecer as ditas “regras claras, objetivas e para todos” ou o PS vai continuar a alimentar os seus “groupies” familiares e partidários. No entanto, ainda bem que os restantes partidos, especialmente o PSD, não quiseram entrar neste “regabofe” com o Partido Socialista (e Geringonça), pois há valores que devem imperar, principalmente em quem exerce cargos governativos: Bom-Senso, Ética e Mérito.

Mas, fazendo de advogado do diabo, tenho a certeza que nem todos os familiares nomeados serão meros “oportunistas”, “tachistas” ou outro sinónimo que lhes queiram aplicar. Certamente, também existem, entre estas nomeações, pessoas com o perfil indicado, conhecimento e mérito para ocuparem o lugar para o qual foram nomeados. O principal problema encontra-se naqueles que não reúnem qualquer condição para ocuparem os cargos em causa e que a única vantagem/currículo que oferecem é serem primo de X, marido de Y ou irmão de K membro do Governo ou do Secretariado Nacional do PS. Esses sim representam a degradação do sistema, da falta dos 3 pilares basilares no seio governativo e o carreirismo político. E, isso sim, deve ser combatido, não pela Lei, mas pela repulsa dos atores que utilizaram o Estado Português como uma fonte de financiamento da família, que transformaram o Governo num verdadeiro Centro de Emprego (e até de Novas Oportunidades) e construíram uma verdadeira teia semelhante à Máfia Siciliana, uma La Famiglia Portoghese.

E é aqui que paga o justo, pelo pecador. É pelos inúmeros maus exemplos de nomeações familiares que o Primeiro-Ministro fala, agora, em legislar as nomeações. Não é necessário legislar, apenas é obrigatório que impere a ética e bom senso nas nomeações do Governo. Acima de tudo, que se privilegie o Mérito e não as relações familiares e/ou o Cartão Partidário. Que se privilegie as pessoas que têm o perfil, o conhecimento e a experiência para executar os mais altos cargos do Estado Português, independentemente do seu nome de família.

Não ter isso em conta, é apenas privilegiar o Nepotismo em vez do Mérito. Não ter bom-senso nas escolhas que fazemos, é matar o mérito. Não ter ética, é apenas continuar a matar o mérito.

E este PS está a matar o Mérito!