Na verdade, quando falamos em feminismo temos obrigatoriamente que pensar na história do mesmo, para poder decidir o que realmente defendemos ou queremos defender.

Aquilo que frequentemente se refere como “primeira onda do feminismo”, começa no século XIX, sobretudo com a luta sufragista. Continua pelo século XX com “segunda onda do feminismo”, mas focando principalmente na liberdade sexual, na vida familiar (violência doméstica), e no mercado de trabalho. Assim, a “terceira onda do feminismo” surge já no século XXI, tendo objetivos semelhantes à segunda, contudo focando problemas como a diferença entre as próprias mulheres e questões de transgeneridade.

Só estes três conceitos, dariam para escrever muitos e longos artigos, mas vamos complicar ou descomplicar um pouco mais isto do feminismo.

Existem vários tipos de feminismo, é geralmente aceite que existem 8 vertentes/movimentos, contudo são contestadas de autor para autor. Algumas destas variantes tem fortes marcas ideológicas, como o feminismo marxista e socialista, anarcafeminismo, feminismo racial, o ecofemismo, o feminismo liberal; existindo ainda o feminismo interseccional, e o da diferença.

Agora é que isto ficou complexo! Não vou explicar cada um deles, vou ser extremamente facciosa e apenas explicar aquele que me sinto mais próxima. Porém, deixar-vos o desfio de irem pesquisar sobre os restantes. Para assim, perceberem, porque existem muitas feministas com quem descordam tanto, e outras feministas com quem concordam tanto.

Feminista, sim ou não? Se falarmos de um feminismo retrogrado e ultrapassado, eu digo, não! Mas se falarmos para um feminismo moderno e liberal, eu digo, sim… é aqui que vos digo que sou uma feminista liberal.

Não “sou fã” do dia da mulher, não “sou fã” da lei da paridade, não “sou fã” de várias coisas que me parecem, por vezes, ser de um feminismo retrógrado, e até em certas circunstâncias de um machismo encapotado. Embora sinta e perceba que estes “marcos” sejam de facto importantes, e que foram essenciais no que toca à defesa dos direitos das mulheres.

Contudo, prefiro os movimentos sérios na defesa dos direitos das mulheres. Prefiro quem não tem medo de dizer que “não, o mundo ainda não está preparado para ser liderando pelas mulheres”, de dizer que “o mundo ainda tem preconceitos no que toca a mulher mãe de família e trabalhadora”, porque só quem diz sem medos a realidade pode ambicionar delinear um futuro, que perceba de onde vem e para onde quer ir.

É aqui que falo do feminismo liberal, que defende que as mulheres devem lutar pela equidade entre gêneros por si próprias, lutando por reformas legais e políticas sempre que exista disparidade de tratamento jurídico ou social entre gêneros, mas não como um fim em si mesmo, apenas como uma ferramenta para alcançar a equidade. Para o feminismo liberal, o objetivo máximo é não precisar de questões legais para permitir que mulheres e homens, tenham as mesmas oportunidades. Procura assim alterar a estrutura da sociedade atual, para garantir o tratamento equitativo. A sua luta baseia-se igualmente, na defesa dos “direitos reprodutivos”, sufrágio universal, educação, salário igual para trabalho igual, na luta contra a violência sexual e doméstica.

Sejamos práticos, provavelmente quase tudo o que está descrito acima, é algo com que muitos concordam e também defendem. Ou seja, ser feminista, não precisa de ser estridente, não precisa de ser radical, não precisa de ser “contra” os homens, não precisa de apregoar só porque sim.

Ser feminista é defender a justiça e a equidade, ora isso se calhar muitos de nos defendemos. Assim sendo, a resposta a pergunta “Feminista, sim ou não?” a nossa resposta deve ser um consciente, sim!