O impacto do Surf na economia Portuguesa

//O impacto do Surf na economia Portuguesa

O impacto do Surf na economia Portuguesa

Outrora um desporto associado às drogas e marginalizado da sociedade, representa hoje um importante património da economia portuguesa. Parece que Portugal decidiu seguir outros países como Austrália, França, EUA ou Peru e adotou o surf como parte de sua cultura. O desporto está agora associado a um estilo de vida saudável e vem ganhando cada vez mais seguidores ao longo dos anos, com mais de € 400 milhões de impacto económico impulsionado pelo turismo, campeonatos, material, aulas, conteúdo de imagem, valor intangível, entre outros.

 

Para quem não sabe, Portugal tem algumas das melhores ondas do planeta. Embora não comparável à Indonésia, concorre no entanto com a Austrália, EUA, Marrocos, França ou África do Sul. Uma das maiores vantagens da nossa costa é a consistência. É possível praticar a modalidade todo o ano, algo que não é possível em lugares icónicos como o Havaí, por exemplo. Além dos dois arquipélagos da Madeira e dos Açores (com ondas de classe mundial, especialmente o primeiro), em Portugal, também é possível explorar a costa continental, de norte a sul. Alguns lugares como Cascais, Peniche, Espinho, Costa Vicentina e Algarvia, Figueira da Foz, entre outros, têm algumas ondas de alta qualidade durante todo o ano. No entanto, é na Ericeira, onde ficam algumas das melhores ondas, sendo o local reconhecido pela UNESCO como património mundial para o surf. Coxos, Ribeira d’Ilhas, Cave, Pedra Branca, Reef, etc, são apenas alguns dos pontos mais conhecidos que se podem encontrar por lá.

Em termos de impacto económico, existem alguns lugares que claramente ofuscam os outros, que geralmente coincidem com os locais onde há campeonatos anualmente. Cascais, Costa da Caparica, Espinho, Nazaré, Açores, Santa Cruz e Peniche, são os locais onde o surf tem maior impacto económico. Por exemplo, em 2014, estimou-se que a etapa do World Tour em Peniche tenha gerado mais de 50 milhões de euros em receitas indiretas, como restaurantes, publicidade, hotéis ou clubes, com mais de 300 milhões de pessoas assistindo à transmissão online. Em Mafra (município onde a Ericeira está localizada) a taxa de desemprego diminuiu e está actualmente perto de zero por cento, com cerca de 3000 pessoas a trabalhar num emprego relacionado com o surf.

Várias marcas foram criadas e algumas já são reconhecidas como marcas próprias de surf em todo o mundo. Deeply e Janga são provavelmente as maiores marcas de puro-surf. Surfcamps como o Dream Sea ou o Lapoint também conseguiram expandir-se para outros países. Serviços inovadores como Indie Campers ou West Coast Campers, ou marcas como Tuga Mount, também mostraram alguns bons números e estão em constante crescimento.

Um dos maiores pontos de viragem que explica este crescimento recente foi graças a Tiago Pires. O “Tigre Português”, como é chamado na indústria, foi o primeiro português a chegar ao topo, competindo há mais de 7 anos na mais alta divisão de surf do mundo. Isso foi importante porque criou um incentivo para outros surfistas mais jovens terem o mesmo objetivo.

Frederico Morais, “Kikas” para os amigos, vice-campeão mundial aos 12 anos, conseguiu chegar à mesma divisão uns anos depois. Vasco Ribeiro, campeão mundial júnior, é outro surfista que está sempre sob os holofotes pelas mesmas razões. Finalmente, Afonso Antunes revelou-se como aquele que pode vir a conseguir chegar a um nível superior ao de Tiago Pires. Do lado das raparigas, o cenário também é promissor, sendo Teresa Bonvalot, uma jovem de Cascais,  a surfista que geralmente está debaixo do radar e quase conseguiu qualificar-se para o World Tour no ano passado.

E não é só o surf. Há outros desportos relacionados ao surf que têm aproveitado esta aceitação por parte da sociedade portugfuesa, como o Bodyboard, o Longboard, o Skimboard, o Tow-in, o Tow-out, o Surf Adaptado, o Kneeboard ou o Stand Up Paddle. O número de atletas federados portugueses entre 2013 e 2016 aumentou de 1501 para 2494 pessoas, enquanto o número de surfistas de alta competição saltou de 6 para 47. Existem agora cerca de 90 clubes diferentes e 247 escolas oficiais de surf.

 

Apesar de todo esse crescimento, com o surf sendo incluído na lista de desportos que estará presente nos Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio, espera-se que esse “boom” continue pelos próximos anos. Por isso, é importante ter uma abordagem estruturada para lidar com este fenómeno, a fim de permitir um crescimento sustentável e orgânico, com um impacto positivo na vida dos portugueses.

2019-01-28T16:19:10+00:0028 Janeiro, 2019|