No seguimento da minha participação no XIII Seminário de Segurança e Defesa para Juventudes Partidárias, na qual foram discutidos temas que vão desde a geopolítica de Portugal até as forças armadas portuguesas, é com grande convicção que afirmo: “Tenho orgulho em ser português!”. Este sentimento patriota deve-se ao facto das nossas forças armadas, apesar das dificuldades constantemente impostas, conseguirem perseverar e, ainda assim, serem uma referência de qualidade a nível internacional.

Portugal é, como sabemos, um país que atravessa há largos anos uma dificuldade financeira, em constante contingência. No entanto, além das situação económica e financeira existente, é importante também referir que, muito além desta realidade Portugal também se caracteriza como um país em que os governantes não têm capacidade crítica de pensar no futuro estratégico a longo prazo. É a conjugação destas, e outras, contrariedades que leva a que objetivos de investimento acordados não sejam cumpridos e que sejam alvo de festejo os aumentos insuficientes ( (0,48% do PIB quando deveria ser de 0,76%, que foram feitos de uma legislatura para a outra): “é GRAVE!”.

Neste seminário foram prestados testemunhos de diversos oradores que, por sua vez, já passaram por alguns dos palcos de guerra em que Portugal já participou, podendo passar uma mensagem na “primeira pessoa” sobre os potenciais perigos que a nação portuguesa enfrenta. No âmbito da defesa de um país, esta carência financeira e falta de visão dos governantes conduz a consequências desastrosas, nomeadamente em material bélico altamente desatualizado – o que coloca em causa e em risco inúmeros compatriotas -, mas também na falta de condições mínimas que deveriam ser disponibilizadas aos militares que, não nos podemos esquecer nunca, são aqueles que estão, e estarão, sempre, na primeira linha a defender Portugal e a União Europeia de qualquer tipo de adversidade em momentos de guerra.

Os vários problemas que enfrenta a defesa nacional afetam um número considerável de jovens. Efetivamente, cerca de 45% dos 26210 militares – número este inferior a 32000, número mínimo de militares considerado por todos como o mínimo aceitável -, têm menos de 30/35 anos. Não nos podemos nunca esquecer destes jovens que abraçam uma carreira, que além do mais se deparam com uma carreira onde sabem que a progressão não é fácil -arrisco-me a dizer que as promoções só acontecem em “stunts” eleitorais. Posto isto, cumpre-me colocar duas questões: “Como é que a JSD pode dar resposta aos inúmeros problemas que existem nas forças armadas? Qual será o nosso papel?”.

  1. Uma preocupação com a melhoria do cartão de visita das forças armadas. Neste sentido, é preciso investir nas infra-estruturas, valorizando a pessoa e tudo aquilo que ele precisa para se sentir bem e valorizada.
  2. Repensar o dia da defesa nacional, que tem por objetivo sensibilizar os jovens para a temática da defesa nacional e divulgar o papel das Forças Armadas e neste objectivo não é cumprido, não é por falta de empenho do militar certamente, mas sim porque um dia de palestras numa base, em que muito provavelmente é o primeiro contacto de um civil com uma unidade militar é um dia chato! Só isto, por exemplo, tem um custo de 10 milhões de euros.
  3. Em vez de pensar em serviço militar obrigatório é preciso em profissionalizar a profissão militar, pois ao serviço da nação só deviam estar os melhores, a exigência que nós temos para com profissões ligadas a medicina tem de ser a mesma que exigimos a quem é responsável pela nossa segurança e defesa.

Em suma, é importante salientar que apesar de tudo, sem greves, sem grandes alaridos e com todas estas adversidades continuamos a ter uma força militar de excelência mas senão a conservarmos podemos perder este espaço de referencia, que tantos anos demoramos a construir.