Quando é o Natal?

“Em Portugal não é obrigatório que o Natal se celebre na Ceia de Natal, [pode-se, a título de exemplo], celebrar o Natal no dia de véspera do Natal, ao almoço ou noutra refeição”.

Pode parecer estranho porque quando o nosso aniversário ocorre a dias úteis da semana (quase sempre, por motivos óbvios) celebramos, via de regra, no fim de semana posterior, antes não, dado que dizem: “ que não é bom e dá azar”.

Ora, sendo assim, como deveríamos estar a celebrar uma data quando não sabíamos se, garantida e efetivamente, ela chegaria? Com efeito, num registo mais supersticioso, claro está, essa antecipação até poderia prejudicar a sua chegada, ainda qua sabendo que estas regras não se aplicam a quem faz 2020 anos.

Depois, questionámo-nos do porquê de ser almoço ou pequeno almoço e não jantar ou ceia mesmo que antecipado ou protelado no tempo. Mas, após maturar a ideia, finalmente podemos perceber.

Isto dos Coronavírus é uma família que remonta a tempos anteriores ao 25 de abril, precisamente, à década de 60. E se os ascendentes do Sars-Cov2 (Covid-19) eram mais conservadores, fruto da época e do contexto sociológico, esta nova geração (uma geração mais arejada) estirpe ou lá o que é o Sars-Cov2, tem os tiques próprios das nossas novas gerações e não das de outrora.

São malta da noite, nada matutina e muito vespertina. São capazes de andar toda a noite, mas de manhã nem com baldes de água fria os acordam para o pequeno-almoço. Se acordarem às 12:00h já é ótimo, mas o normal é acordar às 13:00h para, não abdicando da primeira refeição, ressolhar um bocado à tarde e ir fazer umas compras, passear e andar na rua, pois, dado os fusos e rotinas entre o período de descanso e o período de vigília só, em bom rigor, depois das 23:00h é que atingem o pico de energia, voltando a deitar-se lá para essas 05:00h.

Mas, das 23:00h às 5:00h, a noite é toda deles. Das 5:00h às 13:00h esta malta está a dormir que nem uma pedra, saindo ao fim de semana apenas de tarde para recuperar das ressacas, com umas pedras e uma garrafa de água tingida com groselha para preparar a noite seguinte, ficando, à semana, presa à Netflix!

Fácil fica, pois, de perceber que a malta nova quer é “reveillons” e “festa”, mas já ir comer o bacalhau muitas vezes cheio de espinhas, em família, e ter de dar e receber beijos lambuzados dos avós só vão se empurrados.

O Sars-Cov2 é também ele assim, mas o nosso governo bem que o tramou, porquanto só o deixa sair no Natal para não se escusar dos beijos e das espinhas, sendo que no ano novo obriga-o a ficar em casa ou se sair é para infringir e apanhar um ambiente completamente “morto”, ou seja, toma lá que o governo apanhou-te na curva, esperemos que não seja no pico dela.

Os nossos governantes são geniais! Talvez nós é que nem sempre consigamos alcançar essa genialidade.

Haja muita paciência ou, sendo politicamente mais correto, haja muita tolerância.

Boas festas!

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