Um Incentivo à União Intergeracional

//Um Incentivo à União Intergeracional

Um Incentivo à União Intergeracional

Estima-se que vivam sozinhos aproximadamente 43 mil idosos em Portugal, perante os restantes países da União Europeia detém a menor proporção de pessoas a viver sós – cerca de 15% – é assim um tema delicado e que procura urgentemente por uma alternativa.

No que concerne aos jovens surge hoje em dia um outro problema, a especulação imobiliária, situação que tem vindo a tornar-se insustentável tendo em conta que as rendas já atingiram máximos históricos há já bastante tempo.

Tenho vindo a analisar aqueles que são os incentivos para os jovens e para os idosos, e curiosamente surgiu-me um projeto que me despertou bastante curiosidade, o “Programa Aconchego”, presente na cidade do Porto. Este tem como missão – um lar a jovens universitários e companhia aos mais velhos, o objetivo passa combater a dificuldade em encontrar alojamento enfrentada pelos jovens que se deslocam para o Porto para ingressarem no ensino superior e, simultaneamente, diminuir o isolamento social dos munícipes com mais de 60 anos. Este projeto apesar de apenas funcionar na cidade do Porto, o processo acaba por ter alguns parâmetros algo rigorosos, no caso dos jovens as candidaturas são efetuadas através de um processo de inscrição para a avaliação do respetivo perfil, no caso dos seniores, é feita uma visita à habitação dos mesmos, de forma a avaliar a mesma e garantir condições para receber o jovem. A presença do sexo feminino é de longe o dominante em ambos os participantes, a diferença de mentalidades nestas gerações é o grande fator.

Os técnicos desta organização fazem visitas trimestrais de forma a monitorizar a situação e avaliar a relação entre ambos, no final do dito ano, os estudantes podem desistir e mudar de alojamento ou manterem-se na mesma habitação, desde que haja consentimento. Curiosamente, já existiram casos em que o perfil do jovem não ia totalmente ao encontro do perfil do sénior, pelo que foi necessário realojar o jovem junto de outro idoso, nestes casos, as visitas trimestrais acabam por ter um papel determinante. Os próprios estudos deste projeto, revelam que na grande parte das situações em que um jovem adere ao programa no primeiro, acaba por terminar o seu percurso académico na mesma habitação.

Os resultados são bastante favoráveis, existem pareceres bastante positivos de ambas as partes e resultado disso é o crescimento desta entidade, e sendo um projeto que me dá especial interesse, a minha “ideia” passaria por alargar aquele que é o mote do programa anteriormente mencionado, a todos os concelhos do nosso país e a longo prazo aos restantes países da União Europeia. Apesar de poder contar com o apoio institucional da Federação Académica do Porto, a divulgação é feita essencialmente através do passar da palavra, nas juntas de freguesia e paróquias. A mentora do projeto assume que o “Aconchego” muito dificilmente se irá assumir como um projeto de massas, tendo em conta que exige muita atenção da parte técnica e acompanhamento por parte do próprio município local, juntando ainda o factor que mais tem bloqueado o seu crescimento, a falta de interesse dos seniores.

Em 13 anos, foram auxiliados 140 seniores e 129 estudantes, apesar de ser um resultado bastante positivo – a meu ver – com os apoios e as ferramentas mais adequadas, tem tudo para ser dinâmico e abrangente.

 

Artigo de Opinião realizado no âmbito do concurso “Uma Ideia para a Europa“.

2018-12-23T12:59:39+00:0023 Dezembro, 2018|