Esqueça tudo o que até ao momento auscultou e assimilou, tudo aquilo que lhe fora transmitido pelos meios de comunicação social tradicionais, tudo o que, deliberadamente ou por força das circunstâncias, a espuma mediática dos dias o leva a abstrair-se das matérias que realmente importam discutir no contexto de eleições europeias. Duas palavras sublevam quando nos referimos a estas eleições, que irão eleger os nossos representantes no Parlamento Europeu, de forma quase transversal: desconhecimento e abstenção. A primeira conduz inevitavelmente à robustez e propagação da última. No estrato social mais jovem, a abstenção em Portugal nas eleições europeias atingiu níveis que esboçam a mais pálida perplexidade, cuja reflexão e correspetiva preocupação dos agentes políticos se esfuma no fogaréu das manchetes mediáticas que o momento rapidamente evapora: atingiu, nas últimas eleições, 80% dos jovens dos 18 aos 24 anos, que optaram por não exercer o seu direito de voto. É efetivamente um número chocante e que merece o mea culpa não apenas dos agentes políticos, como do próprio sistema político e dos media. O diagnóstico, esse, é inevitavelmente e repetidamente o mesmo, culpabilizando-se sempre uma geração desinteressada, alheada e, quiçá, sussurram os notáveis da nossa “praça”, demasiado conformista para encarar a dura realidade dos tempos. Fatores externos também são bem-vindos a esta cataplana de pretextos – é a fantasmagórica ascensão dos populismos; o processo da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, ao qual se teima em passar o lustro da reversão quando o período deveria ser a retirada de ilações; ou, ainda, a crise migratória que, à carga emocional envolvida, faz soar os mais estridentes alarmes da irracionalidade e frivolidade.

De facto, todos os diagnósticos são traçados e as soluções, essas, apenas fazem jorrar a tinta das canetas nos manuscritos de um cada vez mais reduzido grupo de resilientes agentes da mudança no nosso sistema político. Em nada contribui, obviamente, o contexto vivenciado, onde invariavelmente as europeias se confundem com uma espécie de rentrée política das eleições legislativas. É, ainda, um desafio hercúleo tentar captar o interesse de jovens num mundo transfigurado, tecnológico e em constante mutação, onde as redes sociais desempenham um papel preponderante e, ao mesmo tempo, de exigente cobrança a quem pretende passar uma mensagem apelativa. E é precisamente nestes tempos, com esta conjuntura, que se pode levar a cabo uma verdadeira mudança no paradigma da mensagem política relativa à União Europeia e a sua capital importância no dia-a-dia do eleitor, especialmente o jovem eleitor. Não é obrigatória nem indispensável, para o efeito, a habitual exposição histórica ou o funcionalismo burocrático da União Europeia, reservando a pedagogia para a escola e confiando na autonomia do estudo do eleitor: para aguçar o apetite dos jovens, tornar-se-á essencial aliar a digitalização ao contacto pessoal, adequar as propostas em matéria de europeias aos anseios e necessidades e, sobretudo, dar-lhes voz. Da minha parte, e fazendo a devida declaração de interesses, o convite para ser mandatário concelhio da candidatura do PSD às eleições europeias, encabeçada por Paulo Rangel, foi um sinal de confiança e responsabilidade, à escala local, na juventude. À escala nacional, a escolha de Lídia Pereira, jovem consultora de 27 anos e presidente da YEPP, como número 2 da lista do PSD às eleições europeias, revela a oportunidade única de vermos o jovem eleitor representado no Parlamento Europeu, onde este poderá ver materializadas as preocupações que assolam a juventude portuguesa. A própria JSD elencou um pacote de medidas concretas que visam precisamente contrariar a tendência abstencionista juvenil e integrar o jovem no projeto europeu, que vão desde a criação de uma plataforma digital que lhe permita discutir propostas em votação ou apresentar a sua própria ideia; ao alargamento da base social ao programa ERASMUS+ e das parcerias com o alojamento local, à criação de gabinetes da EURES, uma rede de cooperação que facilita a livre circulação de trabalhadores, nas universidades e politécnicos, e, ainda, em matéria ambiental, aos incentivos fiscais para melhoria da eficiência energética na indústria.

O empenho na luta contra a redução dos fundos europeus, vitais na edificação e melhoria das infraestruturas e equipamentos sobretudo das regiões mais desfavorecidas e que influenciam o quotidiano do eleitor, assim como a prioridade dada à juventude, num programa que é reflexo das propostas da JSD e visível na aposta em Lídia Pereira, são a alavanca que permite a confiança nos representantes no Parlamento Europeu, ao leme de Paulo Rangel, cuja credibilidade, notoriedade e conhecimento das matérias europeias dispensam apresentações.

A exposição não é vinculativa, mas contributiva. Não é linear, mas apelativa ao espírito crítico. Não é certamente exaustiva, mas vai de encontro aos interesses de quem sente que os seus anseios são olvidados.

Independentemente das opções políticas subscritas, lanço o apelo a todos os jovens nestas eleições europeias: votem!

Façam sentir o peso da responsabilidade em quem nos representa no Parlamento Europeu, façam com que o nosso poder no boletim de voto espevite aqueles que não mereceram a nossa confiança e estremeça quem nos captou o interesse, para que se empenhe no cumprimento do compromisso assumido com o traçar da cruz. Sejam cobradores. No entanto, sejam também responsáveis. Sintam a responsabilidade que um instrumento como o voto implica e não permitam que seja um mero chavão. Porque, no fundo, este terá a importância e o significado que lhe quiserem atribuir. Por isso, ousem votar e participar no projeto europeu!