Bruno Miguel Melim, 23 anos, Advogado-Estagiário Presidente da JSD/Madeira desde 2018. Autonomista por convicção. Gosto do contacto de proximidade entre eleitores e eleitos e fora da política falo pouco sobre ela. Adepto da linha “Quem só vive e percebe de política, não percebe de coisa nenhuma.”

 

Como tem sido a experiência de liderar a JSD Madeira?

Liderar a JSD Madeira tem sido um enorme desafio. A JSD/Madeira foi sempre um braço armado do Partido nas lutas eleitorais desde 1976. Tem um papel de intervenção política com propostas e medidas irreverentes que visam melhorar a qualidade de vida dos jovens madeirenses. No entanto a capacidade de mobilização, de fazer passar a mensagem da Juventude para o Partido e explicar aos jovens que o melhor caminho é aquele que tem sido trilhado pelo PSD nos últimos 40 anos  é tão ou mais importante. Quando assumimos a JSD/Madeira quisemos imprimir uma dinâmica diferente em que o combate político estivesse mais ligado à nossa identidade enquanto  Povo ilhéu, a Autonomia. Atendendo à necessidade de formar os novos quadros, captando os melhores das novas gerações, e cabendo à nossa estrutura o trabalho de explorar a nossa identidade acaba por ser uma tarefa exigente. Numa Região em que há cada vez menos nascimentos, mais jovens emigram para constituir família e em que os jovens crescem, de forma geral,  a ouvir em casa que ” os políticos não prestam”, são ” tudo uma cambada de corruptos” torna o nosso trabalho muito mais difícil.

A JSD, como costumo dizer, é uma escola de formação cívica e de valores. A partilha e o convívio em torno de uma causa é fundamental para a concretização de um bom mandato. Mas para isso é preciso ter uma equipa transversal.

Hoje em dia é preciso que os líderes, auscultando aqueles que o rodeiam bem como a população, assumam quais os nossos principais objectivos e lutas. É isso que temos sinalizado e procurado propor e debater em nome da Juventude da Madeira. Temos tido resultados. Estamos, por isso,  motivados e empenhados em acrescentar valor, vencer os dois actos eleitorais que ainda nos restam e prestarmos contas aos nossos militantes no próximo congresso.

 

Quais as principais preocupações da JSD Madeira?

Quando iniciámos o nosso mandato definimos quatro áreas prioritárias: mobilidade, saúde, habitação e emprego. Áreas que tem impacto pela própria dimensão arquipelagica da Região e de áreas totalmente regionalizadas.

Em matéria de mobilidade conseguimos avançamos significativos desde que assumimos a JSD. Conseguimos concretizar a luta da redução dos transportes terrestres, fazendo com que os passes sejam totalmente gratuitos para jovens com menos de 13 anos. Conseguiu-se ainda que os passes urbanos e interurbanos tivessem um preço tabelado de 30 e 40 euros respectivamente. Até 2019 houve jovens Estudantes do Ensino Secundário que pagavam de transportes públicos para virem de casa à escola 180 euros. Hoje pagam 40 euros. Até 2019 compensava a um estudante do Ensino Superior arrendar um quarto no Funchal do que pagar os transportes públicos até casa. Hoje, para esses estudantes, aplica-se o passe sub-23 totalmente financiado pelo Governo Regional da Madeira. E isso teve intervenção da JSD Madeira.

Na mobilidade aérea, para os nossos estudantes deslocados em território nacional, antes da aprovação da Revisão do Subsídio Social de Mobilidade, o Governo Regional da Madeira seguiu uma proposta da JSD Madeira em que o Governo Regional se substituía ao aluno e recebia o reembolso das viagens aéreas fazendo com que as famílias madeirenses só pagassem os 65 euros, definidos pela portaria do Governo Central. Mesmo sem a resolução dos nossos problemas por parte do Governo da República, o Governo Regional do PSD definiu a Juventude como prioridade muito pela pressão da JSD. Podemos dizer que em matéria de mobilidade, a JSD este mandato já fez aprovar muitas das suas propostas.

Hoje estamos mais vocacionados para o debate da estratégia de Habitação da Região. O Funchal é, a seguir de Lisboa, a cidade em que é mais caro arrendar casa. Sabendo das dificuldades da inserção dos jovens qualificados e não qualificados no mercado de trabalho, acreditamos que uma resposta digna aos interesses da Juventude, passa pela melhoria das condições de vida permitindo-lhes dar qualidade de vida e dignidade a quem quer começar uma vida activa e de contribuição contínua para a sociedade. Estamos empenhados em encontrar soluções para a Habitação. Não queremos dar casas a todos, queremos que aqueles que se esforçam e lutam tenham condições para melhorar as suas vidas. Não queremos pescar pelos jovens, queremos ensina-los a pescar. A matéria da habitação é uma área em que as Câmaras Municipais são pilares essenciais. Em 7 concelhos da Região governados pela oposição, não há uma resposta que acuda aos mais jovens. É um bom exemplo do quanto e de que forma se preocupam com a Juventude.

Nas outras duas áreas defendemos uma Saúde pela Prevenção e numa educação para os bons hábitos. Defendemos um contacto mais regular entre o Serviço Regional de Saúde e o utente, através de check-ups bianuais. Primeiro porque o utente deve ter, como já se referiu, uma cultura de prevenção. Em segundo porque é fundamental que os dados clínicos do doente sejam devidamente conhecidos para reforçar o investimento nas áreas prioritárias. E, em terceiro lugar e secalhar o mais importante, os nossos jovens devem conhecer para poder confiar no nosso serviço regional de saúde. Para todos os efeitos, em situação de emergência o primeiro cuidado é realizado nas instituições do Serviço Regional de Saúde. Em situações de entre a vida e a morte  pode não haver tempo para realizar viagem para o Hospital referência da especialidade no território continental. Seja ele em Lisboa, Faro ou Porto.

Por último e não menos importante o emprego é uma verdadeira prioridade. E sobre esta matéria temos duas propostas diferentes entre si mas que se complementam. Para uma justa e equitativa divisão da riqueza para aqueles que trabalham defendemos o alargamento da Autonomia para ser possível criar um regime próprio de tributação Autónomo do que aquele que vigora no território continental. Cremos que só assim se pugnará pela justiça e coesão social. Em matéria de emprego é necessário que o empregador veja uma verdadeira vantagem ao contratar. Ou seja, que não está a qualificar um jovem na sua primeira experiência de emprego para perder esse investimento para o mercado. Aquilo que defendemos é que por cada jovem contratado, o empregador possa deduzir nos 3 primeiros anos os custos que tem com um trabalhador mais antigo na empresa. Acreditamos que isso permitirá a renovação de quadros e a partilha de conhecimentos de forma menos assimétrica e fixar mais jovens na Região. Há qualidade de vida na Região, mas é preciso criar mais condições para que os jovens se estabeleçam.

 

Quais as prioridades dos jovens da Região Autónoma da Madeira?

As prioridades dos jovens da Região Autónoma da Madeira não são diferentes daquelas que se sentem no restante território nacional. Talvez a única grande diferença reside no facto de à chegada aos 18 anos e com a chegada à maioridade, muitos jovens têm vontade de conhecer mais do mundo globalizado que só conhecem pelas Redes Sociais. De resto define-se pelo mesmo. Melhores condições de empregabilidade com melhores ordenados e menos precariedade, habitação acessível, boa oferta e qualidade de vida e condições para que os jovens possam prosseguir os seus projectos de vida como a constituir  família. Os jovens madeirenses gostam muito da sua terra, no entanto, a compatibilização entre a qualidade de vida e a dimensão do mercado é um grande entrave. Um mercado pequeno não tem escala, logo tem maiores dificuldades de albergar os quadros qualificados que anualmente vai formando.

 

Como é que a JSD Madeira encara as próximas Eleições Regionais da Madeira?

Com espírito de combate, unidade na acção,  humildade, orgulho e confiança. O nosso Partido é a Madeira. O nosso objectivo é ganhar para continuar o progresso, desenvolvimento e a prosperidade desta Região Autónoma.  Só para que se tenha uma ideia, o PIB per capita da Madeira em 1980 era de 116 euros. Hoje são cerca de 24.800 euros. Tudo isso foi alcançado através da Autonomia política e pela Governação do Dr. Alberto João Jardim, inteligentemente seguida pelo actual Presidente, Dr. Miguel Albuquerque. É evidente que tal só foi possível pela constituição de 12 governos com maioria absoluta. A estabilidade política foi essencial para se  concretizar estes resultados. Foi tudo bem concretizado? Não, mas o balanço é francamente positivo.

Temos consciência que o PSD tanto na Região como no País não está na moda, mas acreditamos que as sucessivas medidas que melhoraram, e muito, a vida dos jovens nos últimos 4 anos são um garante de que o PSD é um projecto de futuro. Além do mais, foi sempre o PSD Madeira o partido que integrou jovens em lugares elegíveis em 43 anos de Autonomia. Mais do que concretizar políticas jovens, inclui os jovens nos lugares de decisão. Por princípio estrutural e não por mera caça ao voto.

 

Qual o impacto e a importância da Festa do Chão da Lagoa para a JSD Madeira, e para a própria região da Madeira?

O Chão da Lagoa é o maior arraial popular da Região, mantendo as características tradicionais dos arraiais madeirenses. É uma festa importante do ponto de vista político e marca a mensagem do ano político e parlamentar que termina em Julho. É uma espécie de balanço anual das lutas e conquistas do Povo madeirense. Sabemos que, em qualquer ano, o Chão da Lagoa cria um soundbyte sobre a actualidade política. Regional e/ou Nacional. Do ponto de vista sociológico, mais do que um tradição é uma montra de jovens talentos madeirenses dos 11 concelhos da Região. E durante muitos anos foi o palco onde subiram os nomes mais conceituados da música internacional na Madeira. Basta lembrar que Ivete Sangalo foi artista convidada deste evento por diversas ocasiões.

Esta festa é, por isso, um marco social importante no calendário de festividades da Região.