Sou natural de Vieira do Minho, o segundo município menos populoso do Distrito de Braga, uma terra fantástica, com um grande valor paisagístico e humano.

A minha área de formação é Direito e actualmente exerço Advocacia.

Adoro o que faço, quer política, quer profissionalmente.

 

Como tem sido a experiência de liderar a JSD Distrital de Braga?

Tem sido atípica.

Fui presidente da JSD de Vieira do Minho durante dois mandatos e simultaneamente integrei duas comissões políticas Distritais, como vogal e como Vice-Presidente e a questão da Pandemia veio alterar o paradigma político do país e a própria forma de fazer política.

Se os primeiros meses (fui eleito em finais de Novembro de 2019) foram marcados por uma procura de estabilidade na distrital, quer política, quer humana, visto que, ao fim de muitos anos de guerras, foi finalmente possível a existência de um projecto conciliador das posições das várias concelhias do Distrito, desde que o espectro da COVID19 surgiu os tempos têm sido marcados pela incerteza e pela expectativa no país e no mundo.

A política, seja ela “jovem” ou “sénior”, não se pode alhear destes novos tempos.

Nesse sentido, estamos aqui para trabalhar e procurar soluções.

Acrescento ainda que não seria honesto da minha parte esconder a satisfação e a honra que sinto ao assumir o cargo de Presidente da JSD Distrital de Braga, ainda para mais, sendo a Distrital de Braga a segunda maior do país, quando eu sou oriundo de um Concelho que é, em termos populacionais, um dos mais pequenos do Distrito.

 

Quais as principais preocupações da JSD Distrital de Braga?

Aproximar foi o mote para a nossa candidatura.

Aproximar os jovens da política e da JSD.
Aproximar as concelhias da Distrital.
Aproximar a Distrital do centro de decisão nacional.
Aproximar os jovens do poder autárquico.

Sentimos que os jovens estão cada vez mais afastados da política e ainda mais dos partidos políticos. Queremos aproximar para reverter esta tendência. Sãos essas as nossas principais preocupações.

Além disso, posso acrescentar que nos preocupa seriamente a falta de credibilidade da política e dos políticos. Cada vez mais somos considerados “activos tóxicos” e isso não é de todo aceitável. A grande maioria dos jovens com os quais tenho feito política têm motivações altruístas. Procuram realmente fazer melhor pelo país e pelo mundo, sem qualquer contrapartida que não seja a satisfação e o prazer de construírem um futuro melhor. Mas também há quem esteja na política com intenções parasitas e a JSD não é excepção. Temos de combater essa realidade sendo transparentes, rigorosos, escolhendo os melhores para os lugares, independentemente do apelido de família.

E, por último, preocupa-nos o tendencial desaparecimento do sentido crítico da JSD. Não podemos ter peias ao expressarmos a nossa opinião, seja no seio da JSD, do PSD ou em qualquer outro fórum, quando estamos plenamente convictos de que estamos a proceder correctamente, em prol dos jovens e do país. Se agirmos desta forma, demos um passo de gigante na credibilização da política e dos políticos.

 

Quais as prioridades dos jovens do Distrito de Braga?

É uma pergunta difícil à qual não quero dar uma resposta redonda, repleta de palavras desprovidas de sentido real.

Destacaria o emprego. Um emprego que permita à juventude ter uma vida digna e que possa propiciar felicidade. As gerações mais jovens têm-se deparado com uma gritante falta de valorização do seu trabalho, com vencimentos miseráveis, mesmo nas profissões altamente especializadas.

Questões como uma taxa de natalidade que permita a renovação das gerações ou o acesso a habitação própria e permanente, apesar de não exclusivamente, estão intimamente ligadas a uma remuneração digna.

A par destacaria também o acesso a um sistema de ensino que os possa capacitar para os desafios do futuro. Parece-nos claro que o modelo de ensino actual, imutável na sua génese há décadas, está claramente desactualizado face ao mundo actual. Ensinamos, traços gerais, as mesmas coisas há 20 ou 30 anos, com o mesmo modus operandi, mas o mundo está longe de ser o mesmo.

 

Qual é que julgas que deve ser o papel da política, nomeadamente da Juventude Social Democrata, na sociedade pós Covid-19?

Numa situação dramática como a que vivemos, o papel central caberá sempre ao Governo.

Se a situação política se mantiver, com o Partido Socialista à frente dos destinos do país, não antevejo abertura para ouvir propostas concretas da JSD. O passado recente tem-nos demonstrado claramente que um Governo PS é um Governo autista. O jogo político interessa-lhes mais do que o bem do país. A proposta pode ser a melhor, mas se não partir de sua iniciativa, é de rejeitar, não vão outros partidos (nomeadamente o PSD) obter dividendos dessa medida…

Portanto, considero que a JSD pós COVID19, deve ser uma JSD vigilante, atenta e reivindicativa dos interesses dos jovens. Não é aceitável que se hipoteque (ainda mais) o futuro para se manter o presente satisfeito, muitas vezes com o barómetro das sondagens a nortear a navegação.

Além disso, considero que a JSD deve dar grande atenção às Autárquicas, que se aproximam rapidamente. Parece-me que poderemos ter aí um campo mais fértil para trabalhar, com maior proximidade junto das populações, em geral e dos jovens, em particular.

 

Na tua opinião, qual deve ser o papel da tecnologia, ciência e inovação no futuro de Portugal?

Quanto maior for o valor acrescentado daquilo que produzimos, mais perspectivas temos de que o país prosperará. Com isto em mente, a tecnologia, ciência e inovação têm um papel fundamental no futuro do país porque permitem criar esse valor acrescentado.

O problema nesta matéria é que estamos a falar de semear hoje para colher frutos daqui a vários anos e a classe política em Portugal parece ter alguma alergia a tudo o que não traz resultados imediatos. Alimenta-me a esperança o facto de que o PSD, na última vez que foi Governo, apesar de se ver forçado a implementar medidas duras para estabilizar o país do ponto de vista económico-financeiro, colocando-o na senda do crescimento, ter sido compreendido pelos portugueses, ganhando as eleições seguintes. Será fundamental que, no futuro da JSD e do PSD, se consiga comunicar melhor, explicar o que procuramos fazer e quais os resultados que iremos obter, por essa via.