Entrevista a Hugo Lopes, Presidente da JSD Distrital de Castelo Branco

//Entrevista a Hugo Lopes, Presidente da JSD Distrital de Castelo Branco

Entrevista a Hugo Lopes, Presidente da JSD Distrital de Castelo Branco

Hugo Ferrinho Lopes. 26 anos. De berço beirão, politólogo por devoção e social democrata com convicção. Presidente da JSD Distrital Castelo Branco desde 2015.

 

Como tem sido a experiência de liderar a JSD Distrital de Castelo Branco?

Uma honra e gratificação. Nunca foi, nem será fácil guiar o leme de uma estrutura territorial da JSD de âmbito distrital. Tratam-se das únicas que não dispõem de órgãos de governação estatal homólogos a quem exigir uma efetiva prestação de contas, decorrente do próprio esvaziamento dos distritos enquanto divisões administrativas, em permanente contradição com as CIM e CCDR. Não obstante, a JSD Distrital Castelo Branco personifica o projeto político ao qual mais me dediquei. Esta que é, hoje, indubitavelmente a maior organização política de juventude da Beira Baixa permitiu-me trabalhar ao lado de pessoas excecionais, que praticam a política como a arte de servir os outros em vez de se servirem deles. Sinto-me genuinamente feliz e realizado com tudo o que alcançámos.

 

Quais as principais preocupações da JSD Distrital de Castelo Branco?

A Coesão Territorial como bandeira política, sustentada na Mobilidade, Educação, Emprego e Inovação. Com a ambição de transformar a Interioridade numa Oportunidade, lançámos o projeto político ‘Agora, o Interior!’, que visa a publicação de um livro de políticas de juventude e coesão. Para problemas que parecem intemporais, deixaremos soluções estruturais. Em paralelo, colocámos na agenda temas como as portagens na A23, a construção do IC6 e IC31, de um aeroporto regional e de um mega campus empresarial – com base nos fundos comunitários que o agora cabeça-de-lista do PS às europeias desperdiçou e na anunciada, mas tardia, melhoria da rede ferroviária. Alertámos para a precariedade científica, os perigos ambientais da Central Nuclear de Almaraz, o ordenamento do território, o turismo, a habitação, a demografia, a revisão da lei do associativismo jovem, o futuro do projeto europeu e a reforma do sistema eleitoral. Estamos na rua, nas escolas e mantemos uma estreita colaboração com os dirigentes juvenis da região. Apresentámos medidas aos Deputados da região e organizámos dezenas de iniciativas, com destaque para as Jornadas Europeias de 2016 e o projeto-piloto da nova Academia de Inverno de 2019, este ano sob a égide ‘Democracia(s) XXI’, que marca o arranque das eleições europeias e legislativas e de onde não podemos deixar de retirar contributos para exercermos o nosso papel de ‘influencers’ do programa eleitoral do PSD.

 

Quais as prioridades dos jovens do Distrito de Castelo Branco?

Um jovem da Beira Baixa quer estudar, trabalhar e viver na sua terra, mas, para isso, são necessárias condições para a sua sustentabilidade e emancipação. Um estudante deslocado quer vir ao seu distrito, mas paga tanto pelo passe mensal da Carris e Metro em Lisboa como para visitar a família num único fim-de-semana. Um empreendedor, por sua vez, quer melhorar os salários e aumentar a oferta de trabalho, mas vê-se confrontado com impostos incomportáveis. Esta é parte da história de um distrito que anda a diferentes velocidades e está dividido em três Comunidades Intermunicipais sem que a realidade social e demográfica o reflita. Uma região que perde 2000 eleitores por ano e que tem quatro dos dez municípios mais envelhecidos do país – um dos quais tem apenas 253 jovens em todo o seu território –, as portagens mais caras do país, sem alternativa viável, uma rede ferroviária do século passado e a Instituição de Ensino Superior que mais cresceu e que é, simultaneamente, a mais subfinanciada. Portanto, se pessoas aqui queremos fixar, primeiro delas devemos cuidar.

 

Qual julgas ser o papel da Juventude Social Democrata para uma Coesão Territorial?

A JSD já deu os primeiros passos com o inovador Congresso da Coesão Territorial. Já ganhou uma relevância, mediatismo e voz autónoma ímpar com a liderança da Margarida Balseiro Lopes. Agora devemos apresentar propostas consequentes para o Interior, com a coragem de marcar a agenda através de um tema não “sexy”. Isto porque, é certo, o PSD liderou agendas reformistas e progressistas ao longo dos anos. Porém, nenhuma liderança teve a coragem de ir mais longe neste processo. A maior metrópole da península (Madrid) fica no Interior e não foi por isso que deixou de se desenvolver. No entanto, em Portugal, há jovens que passam duas horas por dia em autocarros dentro do mesmo município para ir à escola; outros que, pela não conclusão do IC6, demoram o mesmo tempo a ir ao hospital de Coimbra (distrito fronteiriço) do que demoram para Lisboa ou Porto; ou até, pela inexistência do IC31, pensam que a fronteira com Espanha não passa de uma perceção do Google Maps. É tempo de propor medidas ativas de incentivo à natalidade, à mobilidade no Interior e ao emprego jovem. É preciso que a JSD leve a Coesão até ao Parlamento e ajude a pressionar um Grupo Parlamentar pouco mobilizado para estas questões. Gostaria muito, por exemplo, de ver a JSD levar a votação um projeto de resolução para: 1) aumentar o desconto jovem na CP até aos 30 anos; 2) reduzir dos custos com os bilhetes para estudantes em 60%; ou, 3) reduzir das taxas cobradas nas ex-scut em 50%, o corresponde ao PIB per capita de cada região – ou, no limite, se as condições o permitirem, propondo até a sua abolição. Isto sim, demonstraria que o PSD é um partido que defende menos taxas e impostos, que aposta no Interior e que não se conforma com o investimento de 85 milhões nos passes sociais das áreas metropolitanas quando a abolição destas últimas taxas tem um custo (incluindo as indemnizações dos contratos ruinosos do PS com as concessionárias) de 30 milhões. E note-se: já não falamos em descriminação positiva, mas tão-somente em igualdade de critérios. Não podem ser os jovens do Interior a pagar a qualidade de vida dos outros. Somos todos portugueses.

 

As Eleições Europeias decorrem em Maio, o que julgas serem as prioridades para uma Europa de Futuro? E qual julgas ser o papel da Juventude Social Democrata para esse projeto europeu?

Os jovens não têm que ser apenas o futuro. Também podem ser o presente. E à JSD não lhe basta ser a voz do partido junto dos jovens, mas, e sobretudo, a voz dos jovens junto do partido. À JSD cabe exigir ao partido que apresente um programa para as novas gerações nestas que são as primeiras eleições em que os jovens nascidos em 2000 podem votar e configuram a primeira oportunidade para as novas gerações terem, no nosso espaço político, uma voz que os represente no Parlamento Europeu.  Foi a Europa que nos trouxe o Erasmus e acabou com as fronteiras. A Europa da paz, da inovação e digitalização. A Europa vanguardista no apoio à crise dos refugiados. É esta mesma Europa que precisa de ser apoiada face ao processo do brexit e à emergência de novos populismos, bem como pressionada no processo federal e na atribuição dos fundos de coesão territorial, nos quais se prevê que Portugal perca, pelo menos, 7% das verbas face ao quadro financeiro plurianual anterior. Esta situação decorre das péssimas negociações encetadas pelo agora candidato do PS, Pedro Marques, que foi também o campeão do desvio de fundos do Interior para o Litoral, do congelamento por 3 anos do investimento na ferrovia e do mais baixo investimento da história. O Parlamento Europeu não pode ser o exílio dourado para os Primeiros-Ministros do PS se livrarem dos membros mais incompetentes do seu Governo. O papel da JSD só pode ser o de combater estas práticas; de ser um auxílio permanente, mas não subserviente, do partido; e o de garantir que os jovens portugueses tenham uma voz que os represente.

2019-02-20T21:34:47+00:0020 Fevereiro, 2019|