João Pedro Oliveira, 28 anos é licenciado em Engenharia Civil e Mestre em Estruturas pelo Instituto Superior Técnico. Foi presidente da JSD Cartaxo de 2014 até 2017, ano no qual foi eleito para liderar a JSD Distrital de Santarém. Considera que a atividade política é tão e apenas só uma obrigação cívica de quem quer ser parte ativa na construção do futuro da sua comunidade.

 

Como tem sido a experiência de liderar a JSD Distrital de Santarém?

Representar uma estrutura partidária com cerca de mil e quinhentos jovens no distrito de Santarém tem sido uma honra, mas também um desafio enorme.

A experiência tolda-se sobretudo no peso da responsabilidade acrescida de realizar, não só um trabalho que prestigie e credibilize a estrutura junto daqueles que representa, mas também de dar o exemplo e motivar os futuros quadros para boas práticas que os permitam ser bons decisores públicos no amanhã.

Tenho também um forte sentimento de agradecimento a todos aqueles que me dão este privilégio, os quais tento ao máximo envolver na tomada de decisão. É importante demonstrar junto das pessoas com as quais trabalhos que a sua opinião e os seus contributos tem um papel fundamental no desenvolvimento da organização.

Simultaneamente tem sido gratificante conhecer realidades distintas, concretamente nos contactos que temos feito com associações e coletividades pelo distrito fora. Avançámos com um roteiro no sentido de apresentar as nossas ideias e recolher contributos de quem conhece o terreno melhor que nós. Saber ouvir para saber fazer, não descurando obviamente as nossas convicções ou de fazermos o nosso próprio juízo.

 

Quais as principais preocupações da JSD Distrital de Santarém?

O Distrito de Santarém apresenta uma complexidade geográfica e cultural dispare. A Sul e a Este o sector agrícola apresenta uma forte componente na economia local. A Norte e Oeste o tecido económico assenta sobretudo nos sectores secundário e terciário, próprios da aproximação ao Litoral e à grande urbe. São áreas e populações com necessidades e preocupações distintas.

A ação da JSD em Santarém assenta contudo em três vetores distintos. O primeiro está relacionado com a necessidade de proteger o património natural de excelência que existe no Distrito, os diferentes recursos hídricos que têm como expoente máximo o rio Tejo, e a nossa floresta que ultimamente tanto tem sido fustigada.

Para isso e no que concerne aos recursos hídricos, apresentámos uma Moção no Parlamento Europeu que visa trazer transparência na fiscalização aos agentes poluidores e uma maior exigência no cumprimento da legislação ambiental, sendo que, atualmente, consideramos importante existir um maior controlo comunitário nesta matéria. Não é possível continuarmos em pleno século XXI a ter indústrias e inclusive alguns municípios a descarregar efluentes não tratados nas nossas linhas de água. O impacto é por demais evidente para a saúde pública e pode se perpetuar por centenas de anos através por exemplo da contaminação dos solos.

Quanto à Floresta consideramos fundamental uma profunda reforma no seu Ordenamento que passa pelo controlo das áreas de combustão e obviamente pelo seu aproveitamento económico, adotando-se assim os diferentes pilares da sustentabilidade, que não se esgotam no fator ambiental.

Outra preocupação diz respeito aos atuais padrões de vida das gerações mais novas, que hoje sabemos, encontram-se abaixo da geração anterior. Temos em crer que o aumento da natalidade, fundamental para um país com futuro só será possível com o aumento de rendimentos disponíveis nos agregados mais jovens. Exigem-se políticas que mitiguem a forte pressão imobiliária que se faz sentir no preço das casas para habitação, bem como no aumento dos preços das utilidades. O país necessita de políticas que estimulem a competitividade económica e assim a sua riqueza.

Finalmente preocupa-nos o paradigma do Ensino Superior no Distrito. Em Rio Maior temos um Polo Universitário de Desporto Nacional, com um potencial fantástico, mas que contudo não apresenta uma oferta de alojamento universitário minimamente adequada. Os passos entretanto tomados para mitigar este problema resultam da dinâmica própria da Autarquia. A ação governativa tem sido ineficiente, apostando mais na propaganda para a comunicação social do que na capacitação financeira das Instituições para resolverem estas questões. Longe vão os tempos em que se aproveitavam os períodos pré-eleitorais para a inauguração de um conjunto alargado de obras, hoje fica-se pelos projetos anunciados vezes sem conta nos jornais e nas televisões criando uma falsa sensação de expectativa que, de facto, não corresponde à realidade.

Recentrando a questão do Ensino Superior, o atual Instituto Politécnico de Santarém apresenta no seu todo um conjunto de lacunas em algumas das suas Escolas que levaram a uma queda do número de estudantes e de cursos. Do feedback que recebemos das Associações de Estudantes é fundamental uma reflexão sobre a oferta existente, bem como a importante ligação ao tecido empresarial e às suas necessidades.

 

Quais as prioridades dos jovens do Distrito de Santarém?

Atualmente o principal desafio passa pela emancipação. Tal como é do conhecimento geral a conjuntura económica internacional tem permitido desenvolver emprego, mas a remuneração é bastante baixa, maioritariamente, próxima do salário mínimo. O aumento do preço dos imóveis afeta não só Lisboa, mas muitos concelhos urbanos como é o caso do Cartaxo, Santarém, Rio Maior, Tomar, etc., sendo que os jovens hoje têm imensa dificuldade em garantir meios para terem a sua própria habitação, pagarem as suas contas ou desenvolver poupança que lhes permita construir o seu projeto de vida. Somos de facto uma geração adiada que (des)espera por soluções que permitam transformar em riqueza as qualificações que hoje nos são reconhecidas. Para isso é preciso também um mindset diferente no próprio sector produtivo em Portugal. Precisamos de competir pela inovação e por produtos de alto valor acrescentado, uma vez que também não temos escala para nos centrar no consumo privado. Por outro lado, competir através da “mão-de-obra” barata com países e economias mais débeis não é o caminho.

Os jovens em geral, e não apenas de Santarém, apresentam hoje ainda uma preocupação muito grande com aquele que será o futuro do nosso planeta. O conhecimento adquirido pela nossa geração permite-nos perceber os danos causados pelo Ser Humano e as suas consequências que são já em grande medida irreversíveis. A preservação do ambiente e dos ecossistemas naturais começa em cada um de nós, mas cabe aos Estados comprometerem-se com políticas que erradiquem comportamentos insustentáveis que põem em risco a nossa própria existência.

 

Qual é que julgas que deve ser o papel da Juventude Social Democrata na luta contra as alterações climáticas e na proteção ambiental?

A JSD tem um papel fundamental na discussão de políticas de sustentabilidade, que promovam o conceito de Economia Circular. É preciso ultrapassar a cortina de fumo do supérfluo e efetivamente ser a ponte para o desenvolvimento de compromissos entre os diversos intervenientes da sociedade civil, do qual faz parte o tecido económico. Substituir o descartável de plástico, pelo descartável de papel ou madeira, embora pareça “eco-friendly” não é a solução, apenas maquilham o problema de fundo. Os decisores políticos necessitam urgentemente de avançar num compromisso que abranja os diferentes pilares da sustentabilidade que, como sabemos, não se esgota no vetor ambiental, mas também o campo económico e social.

Não se pode alimentar o discurso dos bons e dos vilões, mas de parceiros que procuram soluções que garantam o futuro de todos e em particular daqueles que ainda estão para vir e que dependem do nosso sentido de solidariedade inter-geracional.

 

Quais são os maiores desafios que a Juventude Social Democrata vai encontrar nas Eleições Legislativas 2019?

Será fundamental chegar às faixas etárias mais novas e mostrar-lhes a importância que de facto têm na construção do seu futuro. Os grandes acontecimentos políticos e sociais nos últimos séculos tiveram por base a dinâmica dos mais jovens. Sabemos hoje que muitos não acreditam nos decisores políticos e não fazem valer o seu voto. A JSD deve adotar um discurso positivo e construtivo apostando em temas que sejam de facto pertinentes para aqueles que pretendemos representar. Só assim podemos recuperar credibilidade. Este é um caminho que julgo tem sido bem feito e deve continuar a ser trilhado.