Sofia Matos, 28 anos, natural do concelho da Trofa, cursou Direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, é advogada de profissão com escritório na cidade do Porto.

 

Como tem sido a experiência de liderar a JSD Distrital do Porto?

Tem sido encarada com um enorme sentido de responsabilidade mas também com imensa gratidão pela confiança que os militantes do distrito têm depositado em mim. Renovei recentemente a minha candidatura à CPD da JSD do Porto depois de dois anos intensos, de total entrega e dedicação ao projeto Porto Interventivo. Se o sentimento, em relação ao primeiro mandato, é de dever cumprido e de orgulho pelo caminho que começamos a trilhar, não é menos verdade que saí do último Congresso Distrital motivada para fazermos ainda melhor, com os olhos postos nas eleições do próximo ano e consciente do que esses combates representam para o futuro do nosso partido.

 

Quais as principais preocupações da JSD Distrital do Porto?

Na JSD Distrital do Porto, sabemos todos o que é esperado de nós: ideias e ação política. É esse papel ativo, de construção programática e de mobilização humana, que queremos assumir. É essa a essência do Porto Interventivo. E foi com esse espírito que a nova equipa, eleita no dia 15 de dezembro, planeou o próximo mandato, definindo os temas que mais interessam aos jovens do nosso distrito, e elaborando propostas exequíveis e realistas, que sirvam de alternativa à ilusão promovida pelo Partido Socialista.

 

Quais as prioridades dos jovens do Distrito do Porto?

A região Norte e o distrito do Porto. Figuramos entre as regiões mais pobres do país e da Europa. Defendemos por isso, e como como modelo alternativo, a Regionalização, porque quatro décadas de centralismo, e consequentes assimetrias profundas no nosso território, chegam-nos para perceber que o modelo tem de ser outro. E não nos contentamos com o projeto de descentralização em curso, que se tem revelado um fracasso. A municipalização de algumas competências não resolve o problema. Precisamos de criar estruturas autónomas, de nível intermédio entre o Estado Central e as Autarquias, dotadas de orçamento próprio e de legitimidade pelo voto, se queremos assegurar que cada região tem a força política necessária para fazer valer os seus interesses. Esta será uma das nossas prioridades para o mandato.

Nas eleições legislativas do próximo ano, vamos ter a oportunidade de oferecer aos jovens portugueses uma proposta diferente para o futuro. Estamos apostados em contribuir para um projeto de governação onde as questões do desemprego jovem, da precariedade laboral, dos baixos salários, da habitação ou da sustentabilidade da segurança social não sejam empurrados para a frente. A seu tempo, apresentaremos propostas concretas, algumas já previstas na nossa moção de estratégia global que foi sujeita a escrutínio, que esperamos ver incluídas no programa eleitoral, para que os jovens do nosso distrito possam ter mais esperança no futuro.

Mas não nos esquecemos da Europa. A crise migratória e as consequências orçamentais do Brexit fazem com que estas eleições europeias se revistam da maior importância. Somos europeístas, acreditamos no projeto europeu e sentimos que é nosso dever assinalar o que de bom tem resultado para Portugal, e para os jovens portugueses, da integração europeia. As liberdades de circulação, o mercado comum, os fundos de coesão, o programa Erasmus. Num período histórico em que emergem movimentos populistas, é fundamental relembrar as vantagens em fazer parte da União Europeia, mas também apontar os erros, perceber o que tem gerado insatisfação e ser capaz de fazer uma crítica construtiva. É esse o caminho para o progresso. Vamos promover este debate e envolver os nossos militantes, com o objetivo de ver incluída, no programa do nosso partido, a visão dos jovens do distrito para o futuro da Europa.

 

Como é que a Juventude Social Democrata pode ajudar a reformar o sistema de ensino em Portugal, visando o futuro e a modernidade deste?

Cumprindo na íntegra aquilo a que se comprometeu. A candidatura Conquistar Portugal, que saiu vencedora do passado Congresso Nacional da JSD, tem uma visão de futuro para o ensino em Portugal, que não pode – nem deixará – de levar a cabo, a bem das futuras gerações do nosso país.

Sabemos que a inovação tecnológica está a transformar a Educação em todo o mundo, pelo que urge construir sistemas educacionais preparados para o futuro: utilizando métodos de aprendizagem adequados ao séc. XXI e promovendo a adaptação e desenvolvimento de novas competências, maximizando assim o talento e as apetências de cada jovem.

Aquilo com que nos confrontamos hoje, é com uma Educação estanque, com uma sala de aula arcaica e pouco inovadora, que se revelará profundamente incapaz de preparar os nossos filhos para os desafios do Mundo e da Economia digitais.

 

Quais serão os maiores desafios que a Juventude Social Democrata irá encontrar em 2019?

O país já percebeu que o “tempo novo” e o “fim da austeridade”, afinal, não passavam de retórica e de pura vigarice política. Nunca um governo enfrentou tantas greves e manifestações como este. A versão otimista do Primeiro-Ministro, que a certa altura nos quis convencer de que as vacas voavam, colide com o Portugal real. O maior desafio da JSD para este ano, passará por desmascarar a gerigonça e ganhar eleições. Eu acredito que seremos capazes disso!