JSD apela a António Guterres para o envolvimento da ONU na solução da crise humanitária de Moçambique

Exmo. Sr. Secretário-Geral das Nações Unidas, Eng. António Guterres,

Desde 2017 que uma insurgência fundamentalista abala Cabo Delgado, uma província de 2 milhões de pessoas no norte de Moçambique. Os islamitas, afiliados ao Estado Islâmico, já mataram mais de 2 600 pessoas, deixando 670 mil deslocados. Para além de saquear aldeias, a insurgência controlou por três vezes a cidade costal de Mocímboa da Praia e cercou a cidade de Pemba.

Em novembro de 2020, ainda antes da crise humanitária assumir as proporções atuais, a Juventude Social Democrata condenou os ataques terroristas e apelou ao Governo Português – dada a relação histórico-cultural e os laços de amizade entre Portugal e Moçambique, junto da CPLP, da União Europeia e de outras organizações internacionais – acompanhasse a crise que Moçambique atravessa e disponibilizasse todo o apoio necessário para combater o terrorismo e acabar com a situação dramática que se vive em Cabo Delgado.

Hoje, quase um milhão de pessoas enfrenta fome severa como resultado desta insurgência, sendo ainda mais preocupante o facto de cerca de metade daqueles afetados pela violência serem crianças e jovens com menos de 18 anos. Recentemente, a ONG Save the Children alertou para a morte de crianças de apenas 11 anos, decapitadas perante os próprios pais.

Os ataques têm espalhado o terror, causando inúmeras mortes, incêndios de casas, pilhagem, destruição dos comércios locais, violação de mulheres e a decapitação de adultos e crianças, representando tudo o que há de pior no mundo – fundamentalismo, ódio e terrorismo. Neste sentido, a JSD reitera a sua firme condenação do terrorismo sob todas as suas formas e o seu empenho na prossecução de ações coletivas de prevenção e repressão de atos terroristas, e expressa a sua solidariedade ao Povo Moçambicano e ao Governo da República de Moçambique.

É nas gerações mais jovens da população que a insurgência islâmica, conhecida localmente como “Al-Shabab”, ou “A Juventude”, recruta os seus seguidores. Perante este cenário desolador, lamentamos que só ao fim de quatro anos é que a comunidade internacional esteja finalmente de olhos postos em Moçambique. Tendo sido a ONU fundada com o objetivo máximo da manutenção da paz a nível mundial, é da vital importância que o Excelentíssimo Sr. Secretário-Geral das Nações Unidas, Eng. António Guterres, invoque uma forte mobilização internacional de apoio a este país.

Urge também apoiar de forma substantiva as ONG que prestam auxílio à população de Cabo Delgado, em especial às crianças, jovens e mulheres. É crucial o regresso da paz e da estabilidade, ao mesmo tempo, que é urgente garantir o acesso à educação a todos jovens e crianças vítimas desta tragédia. A gravidade da situação em Cabo Delgado exige uma rápida ação em prol do bem-estar do povo moçambicano e uma determinação firme no combate ao terrorismo fundamentalista.

Excelentíssimo Sr. Secretário-Geral das Nações Unidas, Eng. António Guterres, a Juventude Social Democrata dirige-lhe este apelo também enquanto português. Neste momento, há um povo-irmão da Lusofonia – uma identidade que nos orgulha no mundo – a sofrer e a passar um momento bastante difícil. É a solidariedade que almejamos como valor primordial da Lusofonia que está em causa. Numa família, estamos lá um para os outros, particularmente quando a hora é difícil e o apoio é urgente. É tempo de estarmos ao lado de Moçambique e do Povo de Cabo Delgado.

Apelamos assim, para que sua Excelência mobilize o máximo e as melhores forças da Organização das Nações Unidas para acabar de vez com este conflito, e que apele a toda a comunidade internacional para que apoie Moçambique e os moçambicanos num dos períodos mais difíceis da sua história.

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