O dia de sexta-feira começou com a aula do Eurodeputado Paulo Rangel, que falou aos alunos da Universidade de Verão sobre o tema “O que se passa com a Europa?”. Paulo Rangel destacou algumas das mudanças estruturais que decorreram na Europa ao longo das últimas décadas, concluindo que, um dos principais problemas da Europa dos dias de hoje “é o conflito entre a democracia representativa e a democracia direta”.

“A grande tragédia política da Europa é a ascensão daqueles que criam nas pessoas a ilusão da democracia direta, que cria nas pessoas a ilusão de que elas podem governar diretamente todos os dias sem necessidade de nenhuma representação, que elas terão uma qualquer pessoa que será a sua voz e portanto elas podem dispensar os aparelhos políticos e, em particular, os parlamentos”, concluiu.

A tarde de trabalho prosseguiu com a aula sobre política internacional, onde Tiago Moreira de Sá respondeu à questão “Estamos perante uma nova (des)ordem mundial?”.  A dúvida sobre o futuro da ordem internacional deve-se a diferentes fatores, tais como as eleições nos EUA, a crise política na União Europeia, a ascensão das potências revisionistas – China e Rússia, entre outros. Para Tiago Moreira de Sá, “a próxima ordem mundial irá culminar num sistema multipolar, com uma ordem internacional de equilíbrio de poder”.

O penúltimo jantar-conferência da 17ª Universidade de Verão contou com a presença de António Vitorino. O convidado da noite transmitiu aos alunos a verdadeira situação da problemática da migração e o que pode ser feito como resposta à crise migratória.

“Alguns políticos populistas têm se especializado em explorar as angústias, as incertezas, as dúvidas e as inseguranças dos cidadãos, fazendo dos emigrantes uma espécie de bode expiatório de um conjunto mais vasto de problemas sociais baseados na rejeição ou medo da diferença. Isso faz dos migrantes uma ameaça que é preciso combater”, afirmou.