No encerramento da 17.ª Universidade de Verão, este domingo, em Castelo de Vide, Rui Rio apelou aos eleitores para que não se deixem condicionar pela “encenação” do PS, como aconteceu na greve dos motoristas ou com o episódio do descongelamento da carreira dos professores. O Presidente do PSD critica o discurso propagandista de António Costa em relação aos seus parceiros de esquerda, quando no “calor do Verão” procurou demarcar-se destas forças políticas, depois de ter estado de “braço dado durante uma legislatura”. “Temos um Governo que é acima de tudo mestre de propaganda (…) Um mestre na dramatização de uma forma como nunca tinha visto, na capacidade de montar um circo político mediático quando está em causa não o interesse nacional, mas o interesse do PS”, acusou.

Numa intervenção de cerca de 45 minutos, Rui Rio precisou que as recentes críticas do secretário-geral socialista aos parceiros de esquerda revela “um discurso oportunista”. “Eu condeno esta forma de estar na política. Não andamos em busca de gratidão, mas também não é bonito ingratidão em relação aos parceiros e, sobretudo, procurar confundir o eleitorado nos últimos 30 dias antes das eleições com um discurso completamente diferente dos últimos quatro anos”, criticou.

Rui Rio assegura que, se o PSD for Governo, “não haverá circo, nem espetáculo, nem mediatização, mesmo que possa dar jeito para a eleição seguinte”.

No domínio das propostas políticas, o líder do PSD diz que Portugal deve assumir o desafio de, no espaço de uma década, inverter o atual movimento populacional do interior para o litoral. “Hoje o movimento é do interior para o litoral, vamos ver se temos políticas em Portugal para que, no espaço de dez anos, o movimento comece a ser do litoral para o interior, porque o interior tem melhor de qualidade de vida, mas atualmente não tem esperança e ambição”, destacou Rui Rio, que voltou a destacar a reforma do sistema político e a instituição de um modelo de crescimento económico sustentado como medidas para modernizar o País.

Rui Rio considera que há vantagens num modelo misto no sistema político, que conjugue os círculos uninominais com um círculo nacional de compensação.

Na economia, o Presidente social-democrata insistiu que o nosso crescimento tem de assentar nas exportações e no investimento público. “Da margem orçamental que o crescimento económico permitir, vamos dedicar 24% a reduzir impostos, 23% a aumentar o investimento público, 45% a aumentar a despesa corrente e 7% para a redução do défice, que se vai tornar um ligeiro superavit”, explicou, detalhando que nos impostos 51% da redução incidirá nas empresas e 49% nas famílias.

Perante uma plateia de jovens, Rui Rio lembrou que a “coragem implica em política desapego ao poder”, elogiou a aposta na formação política e reafirmou que o PSD é o único partido que oferece esperança às pessoas. “O fundamental é que possamos transmitir esperança. É essa esperança que depois desperta a ambição comedida, que é útil e boa, que é o motor que faz desenvolver o País”, sublinhou.