A taxa de desemprego jovem em Portugal tem vindo a diminuir, mas ainda está acima da média europeia, o que por si só, explica a melhor capacidade das empresas estrangeiras reconhecerem e reterem o talento jovem nacional.

Menor desemprego, não significa melhores condições salariais, principalmente. A última geração a entrar no mercado do trabalho, a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012), cresceu durante a recessão global, viu os pais perderem o emprego e viveu momentos de grande instabilidade e insegurança. Por isso, atualmente, sujeitam-se à precariedade que as empresas oferecem, sem nenhuma garantia de estabilidade futura.

Este paradigma cria para a economia portuguesa um desafio pós-crise irrefutável, visto que a tendência é que a população ativa, aquela que realmente contribui para a receita fiscal do Estado, decresça, e uma das principais causas poderá ser a emigração jovem, não por falta de oportunidades de emprego, mas sim, pela necessidade de um plano de carreira inclusivo, estável financeiramente, e adequado às ambições e sonhos dos jovens trabalhadores portugueses.

Os jovens que não emigram, sujeitam-se obrigatoriamente às políticas exploratórias e oportunistas de muitas empresas, cenário que não é aceitável para quem investiu tempo, dedicação e dinheiro na sua formação académica e pessoal. Por isso, a atual classe mais jovem poderá ser a geração mais bem preparada, mas também aquela mais desafiada.

Os programas de incentivos à criação de emprego, beneficiam mais os empregadores que os próprios trabalhadores contratados. Com isto se cria uma prática contratual tóxica, onde as empresas se centram nos prémios atribuídos pelo Estado, e não no potencial do trabalhador. Na minha ótica, penso que seja muito importante na próxima legislatura, pensar em novas medidas que aproximem mais a figura do Estado às empresas beneficiárias destes incentivos, não no sentido de supervisioná-las, mas sim como parte integrante do desenvolvimento e crescimento dos trabalhadores, principalmente da classe mais jovem.

Medidas estas que poderão ser por exemplo, o reporte ao Estado da avaliação de desempenho efetuada pelos empregadores aos trabalhadores, e caso esta não exista, a sua obrigatoriedade; questionários mensais aos trabalhadores sobre a sua satisfação e opinião do atual emprego/estágio; entre outras.

Caso contrário, voltaremos a constatar com a realidade de jovens emigrantes sem oportunidades no nosso país, a serem premiados no país de acolhimento, devido ao seu talento e aproveitamento excecional. Isto porque, volto a frisar, a maioria das empresas se focam nos prémios atribuídos pelo Estado, e não pela retenção de talento jovem.

É imprescindível para o Estado reter a força contributiva jovem, o quanto antes, para evitar no futuro graves défices orçamentais, e aumentos significativos da dívida pública. Afinal, nós portugueses, não somos os melhores do mundo, em quase tudo aquilo que fazemos? Aqui está um paradoxo interessante.