Estamos a poucos dias da realização de mais um ato eleitoral, onde iremos eleger os Deputados que irão compor o próximo Parlamento. Quando se realizam eleições é normal fazerem-se balanços da legislatura, sendo que existe especial relevo para o balanço da ação política do Governo. Há quatro anos atrás sentia que votar na coligação PSD/CDS era a melhor escolha para o futuro do País. Hoje continuo achar a escolha no PSD como a mais segura para Portugal. Contudo, os contextos são diferentes.

Há quatro anos atrás o PS de António Costa inventou uma solução governativa original que ficou conhecida como “geringonça”. Apesar de PCP e BE tentarem fugir às responsabilidades, a verdade é que são tão responsáveis como o PS pelos aspetos positivos e negativos da governação. Diria que o maior ganho do atual Governo foi o de existir um clima económico nacional e internacional de maior confiança.

Desde o início da legislatura que o PS teve como grande preocupação garantir que vencia as eleições legislativas seguintes. Tinha de devolver, de forma célere, rendimentos anteriormente cortados, beneficiar certos setores estratégicos da sociedade e reverter muitas medidas tomadas pelo anterior Governo. Ainda assim, considero que este Governo ficou muito aquém das expectativas face a um contexto económico favorável.

Vejamos, então. Do ponto de visto do crescimento económico tivemos resultados muito modestos, apesar da imensa propaganda realizada pelo PS. Os impostos sobre os rendimentos baixaram, mas os indiretos subiram muito mais, levando a receita fiscal a crescer. O défice público é realmente baixo, mas as cativações nunca foram tão altas. O consumo aumentou, mas muito à custa das poupanças, que estão num mínimo histórico. Na saúde, nem vale a pena falar. Foi talvez o grande falhanço da atual governação, o que quer dizer que mais uma vez o PS falhou no reforço do Estado Social. Não conheço Partido que mais grite e barafuste a favor do Estado Social que o PS, mas as governações socialistas deixam sempre o Estado Social numa péssima situação.

Para além disto, não posso deixar de recordar o caso do “Familygate”, onde assistimos à criação de uma rede tentacular de influências e promiscuidade no seio do Governo. A ética republicana, que em tempos foi tão aclamada pelo PS, ficou definitivamente na gaveta. O PS criou um clima de autêntica oligarquia a governar o País e tudo isto só demonstrou falta de cultura democrática e pouco apetência para privilegiar o mérito e a competência em detrimento do amiguismo partidário. Recentemente tivemos outro caso flagrante. No primeiro debate televisivo entre António Costa e Rui Rio, a RTP esteve representada pela jornalista Maria Flor Pedroso que é prima de Costa. Será isto normal?!

Nos últimos 25 anos tivemos 16 anos governos socialistas que destruíram o nosso potencial económico e desequilibraram as finanças públicas. O PS nunca conseguiu estar mais de 6 anos seguidos no poder sem arruinar o país. Já sabemos que é sempre o mesmo Partido a ser chamado para apagar o fogo quando a “casa” está a arder.

Por tudo isto, é importante fazer uma escolha consciente e perceber quais os Partidos que podem garantir condições para oferecer um futuro melhor ao nosso País. Por último, seria importante que a taxa de abstenção baixasse e que os eleitores participassem de forma massiva neste ato eleitoral, pois com o nosso voto estamos a dar o nosso contributo para a construção de uma Democracia mais sólida.