No contexto atual do Projeto Europeu muitos são os desafios presentes na construção de uma sociedade capaz de projetar o seu futuro bem como, após a sua idealização, de a transmitir corretamente às gerações vindouras, sem nunca constranger a sua liberdade de ação. Esta herança ideológica prende-se, também, com a capacidade de dotar as gerações mais novas de uma capacidade crítica em relação às evoluções tecnológicas e sociais existentes, mas sempre sustentada nos valores adquiridos até ao presente momento.

A necessidade vigente de conectar os mais jovens às instituições europeias, bem como aos seus valores e ideais é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores desígnios que toda a comunidade europeia enfrenta. A cada renovação geracional é necessário transmitir os princípios e convicções adquiridos, assim como toda a experiência obtida nos mais variados cenários políticos e institucionais.

Desta forma, pensar o futuro do Projeto Europeu, é fundamentalmente uma questão de transmitir parte da história para que, esta não se repita ou, se mantenham as liberdades elementares de cada indivíduo.

 

Mas, realmente, que futuro queremos? Que sociedade europeia, valores e liberdades, pretendemos ancorar a esta Europa tão plural?

Parece-me por demais evidente que para revitalizar a Europa será sempre imprescindível utilizar as “armas” e ferramentas disponíveis na época em que a sociedade se insere. Desse modo, não podemos esquecer a digitalização da sociedade aproveitando o acesso das camadas mais jovens às diversas redes sociais. Promover a interação dos mais jovens com determinados princípios basilares, bem como a sua participação estimulada pela criatividade e cultura visual, é um conceito estrutural para melhorar a percepção pública sobre as entidades europeias.
Construir uma verdadeira cultura e identidade visual, que permita aos cidadãos se conectarem com os valores e ideais europeus, deveria ser uma peça central na comunicação de aproximação aos mais jovens. Harmonizar, por exemplo através das artes, as mais diversas nações ao espirito europeu, fará reforçar o sentido de pertença ao projeto de uma Europa unida. Para isso é necessário entender, na sua gênese, quais veículos de comunicação estão no momento a ser utilizados pelas camadas mais ativas da população.

Após uma profunda análise e compreensão de determinados fenómenos sociais devemos agir dentro das comunidades com o intuito de, para além de transmitir corretamente os valores pretendidos, propagar a mensagem de forma a que a mesma seja aceite pelos mais variados indivíduos. Como se pretende reforçar a aceitação das entidades europeias existentes devemos transmitir, em determinados canais populares, os conceitos intrínsecos ao projeto europeu através de linguagens que possam ser diretamente entendidas por qualquer europeu, independentemente da zona no qual este tenha sido criado ou habite atualmente.

Por consequência, e de forma a reforçar essa aceitação, comunidades artísticas devem ser incentivadas a criar expressões que transmitam a essência dos valores europeus, quer através de artes fotográficas como por via de outras artes performativas.

Esta idealização não se prende apenas na concepção de publicações para as plataformas digitais, mas sim na promoção dos valores e ideais europeus através da expressão artística na comunidade Europeia. A multiplicidade de eventos e interações possíveis de realizar tornam um possível projeto desta envergadura algo a considerar, visto que a sua implementação pode ser imediata assim como garante a sua continuidade no tempo. Desta forma, não se realizaria apenas um projeto singular, mas um conjunto de artes onde os valores europeus seriam transmitidos a cada interação, implementando os valores europeus bem no núcleo dos jovens através da cultura visual.

 

Artigo de Opinião realizado no âmbito do concurso “Uma Ideia para a Europa“.