Sonhar e avançar

Cresci numa geração habituada a ouvir críticas nas ruas e na televisão de que não temos interesse em política. De que não votamos, nem questionamos política. 

Não creio que tal seja totalmente inverdade. Mas também acredito que somos uma geração muito mais informada e inteirada em comparação com a geração dos nossos pais. 

Mas se somos ou não interessados em política não deveria ser o tema de debate a cada vez que se aproximam eleições, mas sim em como criar projectos políticos para os cidadãos que consigam combater os atuais níveis de abstenção. A abstenção dos dias de hoje abrange pessoas de todas as faixas etárias e isso reflete-se no nível de desenvolvimento e qualidade de vida de vários municípios e freguesias de Portugal. 

Generalizando um pouco, temos uma classe política de nível local mais focada em satisfazer pequenas necessidades e “irrelevâncias urgentes” que garantem votos, sobretudo em freguesias com população menos instruída. Falo de colocar vassouras e baldes nos cemitérios como políticas de exemplo e referência de trabalho árduo para muitos Presidentes de Junta… Assim, os problemas estruturantes continuam por resolver, com poucas soluções ou planos estratégicos capazes de fazer a diferença. Não são poucos os autarcas em Portugal despreocupados na inovação tecnológica e na modernização dos seus municípios, na competitividade dos mesmos, na captação e atração de emprego, investimento, e talento jovem. 

Este ano assumi um desafio. Sou candidato à Presidência da Junta de Freguesia de Aveleda. Uma freguesia situada no distrito do Porto, a mais ou menos 3 minutos do Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Algo que seria suficiente para nos levar a crer numa localidade já bastante desenvolvida, com um tecido empresarial sólido e com valores relativos bastante elevados no que toca ao nível e qualidade de vida. Mas a realidade é outra. 

Temos uma freguesia repleta de deficiências nas infraestruturas e a nível de serviços e que serve de retrato do estado de Portugal. Um país com uma localização estratégica, com tudo para ser um país produtivo, desenvolvido e feroz, mas na cauda da União Europeia.

Mas apesar das várias debilidades estruturais de Portugal e, em particular de Aveleda, não me resigno às críticas e sonho com uma freguesia melhor, mais inovadora, futurista e adaptada às reais necessidades e preocupações desta década e das seguintes. 

Sem prescindir da experiência dos mais velhos, acredito que é necessário haver mais sangue novo na política, onde o longo prazo é o centro da atenção e atuação política. É esta a minha motivação e energia para avançar com um programa reformador e totalmente inovador para Aveleda e a razão pela qual aceitei o convite do Pedro Soares para me juntar ao seu projecto para Vila do Conde, impossível de ignorar e de não se sentir representado, sobretudo quando se é jovem e se perspectiva o longo prazo. 

Mas mais do que isso, é também porque a política serve para construir um futuro melhor para os jovens e na política portuguesa faltam oportunidades para nós. Apesar dos discursos de apelo à participação juvenil na política, a verdade é que as gerações mais adultas pouco fazem para tal. O incentivo à participação dos jovens na política não se faz apenas com discursos de apelo, nem com a criação de comissões. É preciso acabar com o estigma de que os jovens não têm a experiência, nem o conhecimento para participar na vida política. Idade e experiência não são sinónimos! E não é com esta postura que uma sociedade evolui e se torna mais pluralista. 

O caminho é, pois, só um: sonhar com uma sociedade melhor e avançar na luta para tal.

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